Líderes da oposição venezuelana pediram à Espanha na quarta-feira que consiga a libertação de adversários políticos presos do presidente Hugo Chávez e que obtenham a monitoração de observadores da União Européia para as eleições no país.
Eles disseram ao primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, que está na Venezuela, que acreditam que a democracia venezuelana está sendo desmantelada por Chávez, que se elegeu pela primeira vez em 1998 e que ganhou um plebiscito para determinar sua continuidade no poder.
A débil e dividida oposição ainda tenta se recuperar da vitória de Chávez no plebiscito que pretendia derrubá-lo, em agosto do ano passado. Os opositores acusam o presidente de ter vencido devido a fraudes. Observadores internacionais consideram a eleição regular.
Os líderes da oposição também acusam o presidente populista de perseguir e prender dezenas de adversários políticos desde o frustrado golpe de Estado que sofreu em 2002.
- Pedimos (a Zapatero) ajuda para obter a libertação dos prisioneiros políticos - disse Leopoldo Puchi, secretário-geral do partido Movimento ao Socialismo.
Chávez é acusado de administrar o país de forma ditatorial, manipulando o sistema judiciário, as forças de segurança e as autoridades eleitorais. Ele chama a oposição de "oligarcas" apoiados pelos Estados Unidos e de "planejadores de golpe".
Puchi afirmou que não há condições hoje para a realização de eleições justas na Venezuela.
- Portanto pedimos que a União Européia as observe - afirmou.
A Venezuela realizará eleições municipais em agosto e eleições parlamentares em dezembro. A próxima eleição presidencial ocorrerá no fim de 2006, e Chávez deve concorrer de novo.
A União Européia não enviou observadores para o plebiscito do ano passado, alegando ter sido convidada tarde demais.
Puchi disse que Zapatero concordou com os pedidos. O espanhol participou de uma reunião na terça-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, além de Chávez, na Venezuela.
O oposição espanhola criticou a visita de Zapatero, que também é socialista e que acabou com a política pró-EUA de seu antecessor, José María Aznar.
Desde que foi eleito, há um ano, o premiê espanhol se aproximou de Chávez, que acusava Aznar de ter apoiado o golpe que sofreu em 2002.
Na quarta-feira, Zapatero participaria da assinatura de investimentos da Espanha em petróleo e gás e na venda de equipamentos civis e militares para a Venezuela, o quinto maior exportador de petróleo do mundo.
Adversários de Chávez pedem ajuda a Zapatero para soltar presos
Quarta, 30 de Março de 2005 às 12:23, por: CdB