Rio de Janeiro, 07 de Novembro de 2026

Adversário de Chávez também acredita que EUA sejam força hostil

Embora seja, atualmente, um dos mais ferrenhos adversários do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o general da reserva Raul Baduel mantém-se fiel à suspeição de nove em cada dez compatriotas dele, a de que os EUA preparam um plano para intervir politicamente, mais uma vez, nos destinos do país. (Leia Mais)

Domingo, 03 de Fevereiro de 2008 às 15:27, por: CdB

Embora seja, atualmente, um dos mais ferrenhos adversários do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o general da reserva Raul Baduel mantém-se fiel à suspeição de nove em cada dez compatriotas dele, a de que os EUA preparam um plano para intervir politicamente, mais uma vez, nos destinos do país. Em entrevista ao repórter norte-americano Amar Backshi, do Washington Post, neste domingo, Baduel citou quatro cenários possíveis, no momento de instabilidade em que vive a região no norte da América Latina.

Até sua reforma, o general Baduel ocupava o Ministério da Defesa venezuelano, de onde saiu por discordar frontalmente das reformas constitucionais propostas por Chávez, mas recusada nas urnas em um referendo popular, ano passado. Ele prevê, no primeiro cenário, uma Guerra de Quarta Geração.

- Essa confrontação assimétrica é lutada pelos meios de comunicação, tecnologia, e sabotagem econômica. Ela é uma guerra psicológica - classificou.

Baduel, especializado em estratégia militar norte-americana pelo Fort Benning, no Estado da Geórgia, também trabalha com a possibilidade de "um golpe ou da geração de instabilidade política suficiente para um golpe de Estado".

- Embora a sua origem fosse doméstica, pode ser explorado por atores externos, como os Estados Unidos em 2002 - lembrou.

O general, originário dos Paraquedistas nas Forças Armadas da Venezuela, somou esforços com o atual presidente daquele país, em 1982, na tentativa de tomada do poder, pela via armada. Ele se considera, ainda hoje, um anti-imperialista e anti-EUA.

- No terceiro cenário, forças externas usariam o argumento de que rebeldes estariam infiltrados na Venezuela (a exemplo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc) para iniciar uma série de hostilidades contra o país - suspeita Baduel, sem se referir, pontualmente, ao agressor que seria, no caso, o governo colombiano, sustentado política e econômicamente pelos EUA.

Por último, resta o pior cenário, que seria a invasão da Venezuela por forças norte-americanas, em uma agressão frontal ao atual governo.

- Nesse caso, seria uma confrontação em grande escala militar, entre duas forças armadas. Mas este me parece o mais improvável - concluiu.

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