Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Adolescente de 15 anos acusa PMs de seqüestro

Segunda, 09 de Fevereiro de 2004 às 02:21, por: CdB

Em entrevista ao 'Fantástico' no último domingo, uma adolescente de 15 anos contou ter sido seqüestrada e ameaçada de estupro e morte por policiais militares que roubaram dela R$ 2 mil. Os crimes, segundo o depoimento, foram no dia 27 de janeiro. Os cinco policiais envolvidos foram identificados e presos e poderão ser expulsos da corporação.

A adolescente contou que foi parada pelos policiais numa suposta blitz quando estava dentro de um táxi. Ela voltava de Benfica, na zona norte da cidade, onde tinha passado o dia com a mãe, e retornava para casa, em Copacabana, com R$ 1.150 na bolsa. Segundo o relato, os policiais revistaram a bolsa e encontraram o dinheiro. A partir daí, a adolescente viveu, de acordo com o que contou à polícia, momentos de terror.

- Eles me ameaçaram de todo o jeito: de me matar, de me estuprar - disse, na entrevista.

Segundo a vítima, os policiais deram uma nota de R$ 50 para o motorista do táxi e o dispensaram. A seguir, colocaram a adolescente no carro em que estavam e a acusaram de ser prostituta, traficante e "mulher de bandido". Pediram mais dinheiro e ela disse que tinha mais R$ 850 em casa. Os PMs decidiram, então, buscar a quantia.

Antes de seguir para Copacabana, pararam, segundo o relato, no 22º Batalhão da PM (Maré). Ali, três entraram e dois ficaram com a adolescente no carro.

- Alisaram minha perna e ficaram me oferecendo droga - contou a vítima.

Os três que tinham entrado no batalhão voltaram sem farda, 'em traje civil'. Colocaram a moça em um outro carro e seguiram para a casa dela. Lá, pegaram o dinheiro restante e depois foram embora. Antes de subir, um deles ainda fez recomendações à vítima para que não chamasse a atenção de ninguém:

- Ele me disse: 'você me dá a mão como se fosse a minha mulher, a minha namorada' - contou a adolescente na entrevista.

No dia seguinte, ela foi ao 22º BPM com a mãe e denunciou os cinco policiais. Detidos, eles passarão por um conselho disciplinar e serão submetidos a julgamento militar.

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