O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, recebeu na tarde desta quarta-feira, representantes do Sindicato dos Agentes Penitenciários. Na reunião, realizada por solicitação do próprio sindicado, o secretário reafirmou que, embora considere justa a reivindicação da categoria, o não pagamento do 13º salário atinge a todos os servidores do Estado e não somente os agentes penitenciários, que iniciaram o movimento de paralisação à zero hora desta quarta-feira. Ele deixou claro que a administração do Rio de Janeiro vive sérios problemas de caixa e que a negociação de pagamento ou de aumento salarial para uma só categoria seria inviável agora. Porém, lembrou que este é um momento histórico e de excelentes perspectivas para os funcionários do Desipe e que, por isto mesmo, não poderia ser mais inadequado para a deflagração de uma greve. Num balanço do primeiro dia de paralisação, Astério disse que as cadeias funcionaram normalmente. Os agentes assumiram seus plantões às 8h e cumpriram todas as rotinas, entre elas, a entrada dos visitantes, as apresentações dos presos às varas criminais, além de garantirem a alimentação e o "confere" dos internos. Graças a isso, não houve a necessidade da intervenção da Polícia Militar. "Assim que soube da paralisação, adverti que a rotina deveria ser cumprida de forma a garantir a manutenção da ordem dentro das unidades mesmo que, para isso, fosse necessário usar policiais militares, o que felizmente não foi necessário", disse Astério. Ainda na noite de terça-feira, e também como medida preventiva baseada na informação obtida pelos setores de inteligência das polícias Federal, Militar e Civil de que haveria a tentativa de destruição de uma unidade prisional de Bangu, o secretário ordenou que fosse feita uma operação de revista nos Bangus III, IV e V. Na vistoria, que contou com a participação de homens do Bope, foi encontrado um aparelho celular na casa de custódia Bangu V, e um buraco que seria o princípio de um túnel, em Bangu IV. Apesar do dia ter transcorrido de forma tranqüila dentro de todas as unidades prisionais do Estado, o esquema especial de segurança que entrou em ação ainda na noite de ontem, e que conta com a participação de homens do Serviço de Operações Externas (SOE) do Desipe, da Polícia Militar e do Bope, vai continuar de prontidão até que a paralisação dos servidores seja encerrada.
Administração Penitenciária faz balanço do primeiro dia de greve
Quarta, 09 de Abril de 2003 às 19:50, por: CdB