O presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, pediu nesta terça-feira ao Parlamento que permita a recontagem dos votos da eleição presidencial da semana passada, mas uma disputa entre seus seguidores e nacionalistas da oposição acabou adiando qualquer decisão.
Nos primeiros comentários sobre sua contestada vitória por pequena margem e sobre a tentativa de assassinato na véspera da eleição, Chen lutou contra as lágrimas ao relembrar da dor do tiro e do seu sentimento de insulto pelos questionamentos à sua integridade.
Ele negou ter fraudado votos e disse que aceitaria o resultado de uma recontagem. ``Eles chamam A-Bian de presidente que frauda votos'', afirmou Chen em referência ao seu apelido. ``Este é o maior insulto à minha integridade'', desabafou em encontro de líderes do governo da ilha, em sua primeira aparição pública desde que declarou vitória no sábado.
``Pode-se questionar o resultado, pode-se levantar uma moção para anular a eleição e devemos respeitar isso. Eu sei que não fraudamos, não estamos com medo de reexaminar as urnas.''
O candidato de oposição e líder do Partido Nacionalista, Lien Chan, pediu que a eleição seja considerada inválida e exigiu uma recontagem imediata. Chen venceu o pleito com uma diferença de apenas 29 mil votos entre os 13 milhões.
``Não me oporei a uma recontagem completa e imediata'', disse Chen, acrescentando, contudo, que seus adversários precisavam também aceitar o resultado para evitar que uma crise eleitoral afetasse uma das mais fortes economias da Ásia.``Aceitarei em cem por cento o resultado de uma recontagem.''
Milhares de simpatizantes de Lien reuniram-se na frente do palácio presidencial pelo terceiro dia consecutivo, prometendo não deixar o local sem a recontagem dos votos. Horas antes, uma disputa entre legisladores do partido de Chen e o de Lien impediu que um comitê parlamentar chegasse a acordo para apresentar uma moção de recontagem.
Chen pediu à população que não permita que a controvérsia sobre a eleição e a tentativa de assassinato dividam a ilha, que enfrenta constante ameaça de invasão da China. Pequim defende que Taiwan é uma de suas Províncias e que um dia terá que ser reunificada ao país, à força, se necessário.