Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Adiada execução de réu que disse ter assassinado para morrer

Terça, 25 de Maio de 2004 às 18:22, por: CdB

As autoridades do estado da Flórida adiaram a execução de um preso depois que outro réu assegurou que ele não tinha assassinado a pessoa pela qual foi condenado à morte.

O escritório do Governo da Flórida informou, em um comunicado, que a execução de John Blackwelder, de 49 anos, prevista acontecer hoje, foi adiada até às 22.00 GMT (19.00 de Brasília).

As autoridades averiguarão uma informação fornecida pelo prisioneiro William Demler, que enviou uma carta à Procuradoria Geral do estado indicando que um réu disse que outro tinha confessado o assassinato de Raymond Wigley.

Blackwelder foi condenado à morte pelo assassinato do também réu Wigley, ocorrido em 6 de maio de 2000, e na segunda-feira passada reiterou à imprensa que lamentava tê-lo matado, mas que era a única alternativa que tinha para obrigar as autoridades a sentenciá-lo à pena máxima e executá-lo.

O prisioneiro cumpria uma pena de prisão perpétua por agressão sexual contra um menino de dez anos, delito do qual sempre afirmou que ser inocente.

Como não suportava a idéia de passar o resto de sua vida em uma prisão, sem possibilidade de ter a liberdade condicional, o réu decidiu que cometeria um crime para ser condenado à pena de morte, segundo afirmou em um tribunal.

Uma corte da Flórida condenou Blackwelder à pena de morte depois de ele se declarar culpado por ter matado Wigley.

No entanto, horas antes de sua planejada execução, divulgou-se a carta de Demler onde ele também expressou às autoridades que entende que o que está dizendo "é um rumor duplo".

"No entanto, à luz das circunstâncias e da situação premente, senti que era minha obrigação notificar os advogados envolvidos", manifestou Demler na carta datada de 22 de maio.

As autoridades tinham previsto hoje dar em Blackwelder uma injeção letal na Prisão Estatal da Flórida, em Starke, ao norte do estado.

A execução coincidiria com o vigésimo quinto aniversário da primeira execução realizada na Flórida em 1979, depois que o Supremo dos EUA restituiu a pena de morte em 1976.

Em 25 de maio de 1979, o réu John Spenkelink, condenado por assassinato, converteu-se no primeiro executado pelo estado desde o ditame do principal tribunal do país.

Desde que foi restaurada a pena de morte nos EUA, a Flórida ocupou o primeiro lugar no país em libertar réus do "Corredor da morte", por causas legais ou novas provas, com um total de 25 pessoas, de acordo com o Centro de Informação da Pena de Morte.

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