A adesão à greve convocada pelo Sindicato dos Rodoviários do Rio por enquanto é parcial. Algumas empresas estão com a frota toda na rua, como é o caso da Real e da Transurbe. Já em algumas empresas da Zona Norte, como a viação Matias, por volta das 5h, nenhum ônibus tinha deixado a garagem. Mas, segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro, Antônio Branco, a greve conta com a adesão de 60% a 70% dos motoristas.
A categoria terá uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho, que julgará a legalidade da greve. Os motoristas participarão também de uma nova assembleia. Branco espera que os empregadores negociem com os motoristas. "Esperamos chegar a um acordo, pois não é nossa inteção prejudicar os passageiros", disse.
Na Central do Brasil, o movimento de passageiros foi normal durante a manhã desta segunda-feira. De acordo com guardas municipais, não foram registrados tumultos na região devido à greve dos motoristas de ônibus. Como ocorre normalmente, há muitas filas nos pontos finais em frente à Estação de Trem da Central. Em algumas linhas, os usuários chegam a esperar uma hora pelo transporte. No caso da linha 132 (Central-Leblon), da empresa Real, dos 25 carros que circulam neste horário, apenas cinco estão em uso.
O movimento de ônibus está reduzido Centro, na Zona Norte e subúrbido do Rio. Em Campo Grande, na Zona Oeste, a circulação dos ônibus é praticamente normal.
O policiamento foi reforçado pela Polícia Militar no Centro do Rio nos principais terminais de ônibus. Até o momento não foram registrados tumultos nos terminais da Praça Mauá, Mariano Procópio e Amércio Fontenelle.
Para tentar diminuir os transtornos da representantes das empresas de ônibus, da prefeitura do Rio e do governo do estado anunciaram no domingo algumas ações. Um centro de monitoramento para criar alternativas operacionais e permitir o deslocamento dos passageiros foi montado, e a Polícia Militar entrou em estado de alerta.
Para quem costuma utilizar os ônibus municipais, a orientação é buscar alternativas como barcas, táxi, transporte complementar, ônibus intermunicipal, metrô e trem. Na Gávea, Horto e Jardim Botânico, os passageiros terão como alternativa ainda os ônibus do metrô de superfície, enquanto na Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá outra opção será o Metrô Barra Expresso, do terminal Alvorada até a estação General Osório.
A pedido da Secretaria Municipal de Trânsito, a Supervia elaborou um planejamento especial e vai colocar 100% da frota para circular, além de reforçar as áreas de atendimento e segurança. A Barcas S/A realizou viagens extras entre 7h e 10h, com partidas a cada dez minutos. O mesmo esquema também funciona das 17h às 20h. Durante o dia, mais travessias extras poderão ser realizadas, de acordo com a demanda. Já o MetroRio disponibilizou funcionários para trabalhar nas bilheterias nos horários de maior movimento.
A greve é apenas no Rio de Janeiro e não se estende a outros municípios do estado, mas, segundo o Sindicato dos Rodoviários de Duque de Caxias, a circulação dos ônibus intermunicipais pode ser prejudicada caso haja ação de piqueteiros nas garagens.
O Rio Ônibus, que representa as empresas de ônibus, já entrou na justiça contra os grevistas, para contestar a legalidade da paralisação. Se o pedido for julgado procedente, a Rio Ônibus adiantou que os manifestantes poderão ser demitidos por justa causa e responsabilizados por eventuais prejuízos à frota ou ao patrimônio das empresas, além de responder criminalmente por atentado contra a liberdade de trabalho.
Entre as principais reivindicações dos rodoviários estão reajuste salarial de 15% e o fim da dupla função para motoristas que fazem as vezes de trocador. A assembleia na sexta-feira que definiu a greve foi provocada por opositores que tentam criar outro sindicato. O mesmo grupo paralisou 11 empresas no dia 12 de abril, num movimento considerado ilegal pela Justiça do Trabalho e que deixou 120 mil passageiros a pé.
No próximo dia 9, a prefeitura promete divulgar o edital de licitação das linhas de ônibus, mas o Tribunal de Justiça deve publicar na próxima segunda uma decisão da 12ª Câmara Cível condicionando-a à indenização das empresas que perderem suas permissões. A Procuradoria-Geral do Município só se pronunciará após ser notificada, mas o prefeito Eduardo Paes já disse ser contra.