A adaptação do técnico de Portugal, ex-técnico da seleção brasileria, Luiz Felipe Scolari, não está sendo tão fácil como aparenta. Há cinco meses no país ele teve que engolir indiossicrassias para diminuir resistências e não se sentir um total estrangeiro num país que fala sua própria língua. Vestir terno e gravata, estudar história, sair à rua para conhecer os hábitos culturais dos "patrícios", freqüentar castelos e igrejas, trocar o churrasco pelo peixe, essas são alguma atitudes que vem formando o novo `Felipão à portuguesa´. Mas isso não significa que Scolari se descarecterizou aos 54 anos ou que está deixando os seus costumes brasileiros. Muito pelo contrário, as marcas que fizeram seu sucesso profissional estão conservadas no interior do técnico. E é com elas que o técnico quer tornar Portugal uma seleção campeã. Quando questionado sobre o uso do terno e gravata ele justifica. - Apenas tenho usado essa roupa em certas ocasiões, mas nunca dirigi a seleção de Portugal de terno e gravata. Sou o técnico do abrigo. E, de terno e gravata ou abrigo, vou continuar dando bronca do mesmo jeito - disse o treinador. - A principal diferença que sinto é no aspecto cultural. Ainda sou um pouco estrangeiro em Portugal. Por isso procurei me inteirar sobre a história do país, tenho saído de casa um pouco mais para ter contato com as pessoas, para me integrar, saber o que eles acham sobre futebol - conta Felipão. Scolari esteve nesta segunda em São Paulo para dar uma palestra para estudantes de educação física de uma universidade particular. Foi uma gentileza com a amiga Regina Brandão, que o assessora na área de psicologia esportiva. Ele discursou por 40 minutos e depois respondeu à perguntar de estudantes e jornalistas.