O 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro inicia, nesta quinta-feira, às 13h, o julgamento de mais quatro acusados da morte do jornalista Tim Lopes, assassinado em junho de 2002. Os co-réus do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, são: Elizeu Felício de Souza, o Zeu; Reinaldo Amaral de Jesus, o Kadê ou Cabê; Fernando Sátyro da Silva, o Frei; e Claudino dos Santos Coelho, o Xuxa.
Eles vão responder por homicídio triplamente qualificado - crime foi cometido por motivo banal, com utilização de meios cruéis e sem chance de defesa para a vítima - e podem ser condenados a até 39 anos de prisão.
Os acusados serão defendidos pela defensora pública Bernardette Espírito Santo. O julgamento estava marcado para o dia 14 de julho passado, mas foi adiado devido à greve da Defensoria Pública.
Dos nove indiciados, dois já morreram - André da Cruz Barbosa, o André Capeta, e Maurício de Lima Matias, o Boi . O primeiro a ser julgado foi o principal acusado da morte do jornalista, o traficante Elias Maluco. Em maio de 2005, ele foi condenado a 28 anos e seis meses de prisão. Em junho, o traficante Cláudio Orlando do Nascimento, o Ratinho, foi julgado, considerado culpado e recebeu pena de 23 anos e seis meses de prisão.
Um outro acusado, Ângelo Ferreira da Silva, só vai ser julgado no mês que vem. Ele não ficou com o grupo porque a tese de sua defesa entra em conflito com a dos outros: Ângelo acusa todos os integrantes da quadrilha.
O jornalista Tim Lopes desapareceu em 2 de julho de 2002, quando fazia uma série de reportagens investigativas para a TV Globo, na Favela da Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio, sobre bailes funk e a venda de drogas nesses locais. Ele foi torturado e morto, sob as ordens do principal acusado, o traficante Elias Maluco, um dos líderes do grupo criminoso Comando Vermelho.
O corpo do repórter foi esquartejado e queimado em pneus. O crime ocorreu na madrugada de 3 de julho, no alto da Favela da Grota, na localidade da Pedra do Sapo, no Complexo do Alemão.
Segundo a denúncia, os quatro acusados - Elizeu, Reinaldo, Fernando e Claudino - estavam presentes no local da execução e agrediram Tim Lopes com socos e pontapés. Porém, somente Elizeu teria ido comprar o combustível para atear fogo no jornalista. Os outros três, estavam prontos para qualquer colaboração.
O júri será presidido pelo juiz Fábio Uchoa, e a acusação, pelas promotoras públicas Viviane Tavares Henriques e Patrícia Glioche Béze.