Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Acusados de asfixiar nigeriana são condenados a 12 meses de prisão

Sexta, 12 de Dezembro de 2003 às 10:29, por: CdB

Quatro dos cinco gendarmes julgados como responsáveis pela morte por asfixia da jovem nigeriana Semira Adamu, quando estava em um avião para ser deportada em 1998, foram condenados nesta sexta-feira, pelo Tribunal Correcional de Bruxelas a sentenças que variam de 12 a 14 meses de prisão.

A condenação mais dura foi para o oficial Marc Van den Broeck, de 36 anos, encarregado de escoltar a jovem. Ele recebeu pena de 14 meses de prisão e liberdade condicional durante três anos por ter sido considerado responsável pelos golpes e ferimentos causados na africana em 22 de setembro daquele ano.

Adamu morreu asfixiada durante sua deportação a bordo de um avião da extinta companhia belga Sabena, quando os gendarmes que a acompanhavam lhe aplicaram a chamada "técnica da almofada" para que se calasse e ficasse quieta.

Outros três gendarmes - Danny Cornelis, de 44 anos, Johnny Pipeleers, de 45, e Danny Colemonts, de 44 - foram condenados cada um a um ano de prisão e a três de liberdade condicional pelos golpes proferidos e pelas feridas provocadas na jovem nigeriana, algemada com as mãos às costas e sentada no avião.

Além disso, os condenados terão de pagar 500 euros cada por danos e prejuízos às partes civis, representadas entre outros pelo grupo contrário às expulsões, que se declarou "relativamente satisfeito" com a sentença, mas lamentou a ausência dos responsáveis políticos no banco dos réus.

Um quinto gendarme envolvido na morte de Adamu foi absolvido da responsabilidade nos fatos.
A polêmica sobre a morte de Adamu voltou à tona depois da divulgação, há alguns meses, do vídeo do incidente, gravado pelos próprios gendarmes. As imagens mostram a nigeriana desde o momento de sua retirada do centro onde estava abrigada até perder a consciência.

Na seqüência, pode-se ver os soldados Pipeleers e Cornelis sentados um de cada lado da jovem e com uma almofada entre os joelhos, enquanto um terceiro filma tudo o que acontece.
Depois disso, o Ministério do Interior admitiu que, na repatriação de aspirantes a refugiados políticos, as forças da ordem utilizam esta técnica, em caso de resistência.

O episódio levou à demissão do então ministro do Interior, Louis Tobbak, que assumiu a responsabilidade política pelo ocorrido

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