Quatro dos cinco gendarmes julgados como responsáveis pela morte por asfixia da jovem nigeriana Semira Adamu, quando estava em um avião para ser deportada em 1998, foram condenados nesta sexta-feira, pelo Tribunal Correcional de Bruxelas a sentenças que variam de 12 a 14 meses de prisão.
A condenação mais dura foi para o oficial Marc Van den Broeck, de 36 anos, encarregado de escoltar a jovem. Ele recebeu pena de 14 meses de prisão e liberdade condicional durante três anos por ter sido considerado responsável pelos golpes e ferimentos causados na africana em 22 de setembro daquele ano.
Adamu morreu asfixiada durante sua deportação a bordo de um avião da extinta companhia belga Sabena, quando os gendarmes que a acompanhavam lhe aplicaram a chamada "técnica da almofada" para que se calasse e ficasse quieta.
Outros três gendarmes - Danny Cornelis, de 44 anos, Johnny Pipeleers, de 45, e Danny Colemonts, de 44 - foram condenados cada um a um ano de prisão e a três de liberdade condicional pelos golpes proferidos e pelas feridas provocadas na jovem nigeriana, algemada com as mãos às costas e sentada no avião.
Além disso, os condenados terão de pagar 500 euros cada por danos e prejuízos às partes civis, representadas entre outros pelo grupo contrário às expulsões, que se declarou "relativamente satisfeito" com a sentença, mas lamentou a ausência dos responsáveis políticos no banco dos réus.
Um quinto gendarme envolvido na morte de Adamu foi absolvido da responsabilidade nos fatos.
A polêmica sobre a morte de Adamu voltou à tona depois da divulgação, há alguns meses, do vídeo do incidente, gravado pelos próprios gendarmes. As imagens mostram a nigeriana desde o momento de sua retirada do centro onde estava abrigada até perder a consciência.
Na seqüência, pode-se ver os soldados Pipeleers e Cornelis sentados um de cada lado da jovem e com uma almofada entre os joelhos, enquanto um terceiro filma tudo o que acontece.
Depois disso, o Ministério do Interior admitiu que, na repatriação de aspirantes a refugiados políticos, as forças da ordem utilizam esta técnica, em caso de resistência.
O episódio levou à demissão do então ministro do Interior, Louis Tobbak, que assumiu a responsabilidade política pelo ocorrido