O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, está conseguindo superar os ataques de seus rivais sobre a política em relação ao Iraque e manter uma grande liderança nas pesquisas antes das eleições britânicas do dia 5 de maio.
Nesta terça-feira, contudo, ele enfrenta novas acusações de um desertor de seu partido, que o acusa por "mentiras de virar o estômago".
Duas novas pesquisas mostram Blair entre 10 e oito pontos percentuais à frente de seus principais opositores, numa diferença que lhe daria confortavelmente um terceiro mandato.
Mas a satisfação de Blair com as sondagens deve ser abalada pela embaraçosa deserção de um veterano esquerdista de seu Partido Trabalhista para o Partido Liberal-Democrata, que se opôs à guerra.
Brian Sedgemore, um parlamentar de 68 anos que frequentemente votou contra Blair, disse que os trabalhistas não representam mais a Grã-Bretanha liberal e criticou seu antigo chefe sobre o Iraque, as leis antiterror e a administração dos serviços públicos.
- Peço a todos do centro e da esquerda da política britânica para dar a Blair um soco na cara nestas eleições gerais e votar nos liberais-democratas. As mentiras de virar o estômago sobre o Iraque foram seguidas da tentativa de usar a política do medo para levar o Parlamento a aprovar leis e medidas de ordem altamente autoritárias - disse ele numa entrevista coletiva.
O ataque de Sedgemore compõe uma mudança na campanha eleitoral desde o fim de semana, com um enfoque agora voltado aos argumentos de Blair para apoiar a invasão do Iraque em 2003.
Após semanas de debates sobre questões domésticas, o líder conservador, Michael Howard, acusou Blair de mentir a respeito das informações de inteligência sobre os armamentos proibidos do Iraque, enquanto os liberais-democratas pediram uma investigação sobre o caso.
Blair diz acreditar ter tomado a decisão correta sobre o Iraque e que o mundo está mais seguro sem Saddam Hussein.
- Para aquelas pessoas que se opõem à guerra, quanto mais eu coloco meu ponto de vista, mais isso as irrita - disse ele ao jornal The Guardian.
Os índices de apoio a Blair caíram com o Iraque, mas ele está se beneficiando da economia saudável para ajudá-lo a ganhar as eleições. Algumas das pesquisas divulgadas na terça-feira foram feitas antes de o Iraque passar à dianteira da campanha eleitoral.
Se os dados das pesquisas se repetirem na eleição, Blair venceria com apenas uma pequena redução em sua atual maioria de 161 parlamentares, segundo os analistas.
A maior preocupação dos trabalhistas é que os seus eleitores não compareçam às urnas em número semelhante ao das eleições passadas.