Na semana passda esteve em discussão no Congresso dos Estados Unidos o problemático comportamento sexual dos soldados norte-americanos. A questão foi tratada durante uma audiência quando senadores democratas e republicanos interrogaram oficiais de alta patente e um representante do Pentágono sobre acusações de maus tratos às vítimas de estupro por parte de militares. As denúncias vão desde a falta de tratamento médico e falta de auxílio psicológico até a apuração incompleta dos casos. Um detalhe é curioso, em questão estavam sendo analisados apenas casos de quando as vítimas são as próprias militares norte-americanas.
Os dados apontam para 112 denúncias, nos útlimos 18 meses, apenas na "Área Central" que inclui Iraque, Kuait e Afeganistão. Fora 24 mulheres atacadas na Base Sheppard, no Texas. A soma das acusações é a maior, desde 1991.Os números impressionam porque chegam quase ao mesmo índice das denúncias feitas por civis iraquianas que alegam terem sofrido estupro por soldados norte-americanos também.
Ao que parece, o Pentágono enfrenta um gama enorme de problemas com relação ao seu contigente. O índice de suicídio nas bases do Iraque é igualmente considerado preocupante. Já quase 20 até agora.
As baixas podem ser aumentadas pelo grande número dos soldados que depois de três anos de contrato (prazo mínimo que o soldado precisa se manter vínculado às Forças Armadas) querem voltar para casa.
Pior ainda é como alistar novos combatentes. Nunca foi tão grande a dificuldade de achar pessoas que queiram entrar para o Exército. Entre as maneiras de conseguir novos soldados está o corpo-a-corpo com pessoas nas ruas feito por agentes de recrutamento do Pentágono, mas quase ninguém se interessa. Apelando para o capitalismo visceral dos norte-americanos, o Governo colocou nas últimas semanas uma série propagandas na TV com as vantagens para quem se alistar. Entre outras, tratamento médico, tratamento dentário, pensão familiar, seguro de vida e seguro de saúde. Já não se apela mais para o sentimento nacionalista, que os norte-americanos tanto pregam, é preciso oferecer benefícios. Contudo, nem sempre eles valem à pena. Prova disso é que, soldados que já estiveram em combate, os reservistas, também estão sendo chamados para ir para o Iraque ou para outras bases no Oriente Médio, e a maioria deles não quer nem pensar no assunto.
Um dos motivos da dificuldade, tanto de alistar novos soldados como de manter os que estão lá, é a natureza do combate no Iraque. Desde que o presidente George Bush anunciou o fim dos grandes combates, a "lilnha de fogo" acabou. Não há mais a questão de ir bater de frente com o inimigo, simplesmente porque o inimigo agora está escondido. Bombas saltam à frente de carros em estradas, em frente às delegacias ou de tanques que cruzam a cidade e as emboscadas são costumeiras. Não há como prever os ataques e a luta é contra soldados que não se vê, além de uma grande maioria desses desintegrarem junto com as bombas. Há dados de que, só na cidade de Bagdá, há de 5 a 6 mil insurgentes e rebeldes que tentam de toda maneira, minar os planos da Coalisão.
A tensão e o estresse se torna muito maior do que em uma batalha comum. O Governo dos EUA agora enfrenta o problema de ter que renovar a frotas que já estão lá e não ter quem colocar no lugar.
Denise Martins é jornalista, especializada em Oriente Médio.