O acúmulo de reservas internacionais, próximo da marca histórica de US$ 200 bilhões, pode ser visto como positivo para equilibrar o mercado de dólares e conter a desvalorização da moeda norte-americana, mas, na visão de economistas, também pode gerar custos fiscais para o país.
Para o ex-diretor do Banco Central Emílio Garófalo, há excesso no nível de reservas, mas para ele é melhor administrar a sobra do que a falta.
- O Brasil já teve que conviver com falta de reservas, teve que fazer três moratórias. Isso a gente não recomenda nem para um país inimigo - disse.
O atual patamar de reservas registrado no último dia 19 pelo Banco Central (BC) é de um montante de US$ 198,182 bilhões.
Para Garófalo, o BC não tem outra opção que não seja a de comprar dólares no mercado para compor as reservas.
- Se o Brasil optar por comprar menos neste momento, a taxa de câmbio pode cair de forma tão violenta que pode ser fatal para país. E levar a gente a outra crise - previu.
- Imagine que o Banco Central comprou US$ 80 bilhões no ano passado e ainda assim a taxa não caiu. Se não tivesse comprado, teria sido um desastre e a crise advinda disso seria mais grave do que o problema de administrar o diferencial de taxas de juros - afirmou.
O diferencial de juros entre o Brasil, 12,25%, e os Estados Unidos, 2%, estimula a entrada de dólares no país. Com isso, muitos investidores aplicam o dinheiro no Brasil para ganhar lucros com esse diferencial.
Segundo Garófalo, a entrada de dinheiro de curto prazo no Brasil, caracterizado por sair do país rapidamente, é “mínima”. Ele afirmou que o país conta com entrada de recursos das exportações, investimento estrangeiro direto (caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na atividade produtiva do empreendimento), compra de ações e de empresas.
- O Brasil se tornou uma excelente opção de investimento porque controlou a inflação, tem estabilidade política, com grande mercado de consumo. O mundo quer investir aqui. Esse é um problema que temos que administrar - afirmou.
Garófalo acrescentou que essa é a primeira vez que o país está diante da situação de maior interesse de investidores estrangeiros pelo país. Para enfrentar, essa solução, segundo ele, a opção que o Banco Central encontrou foi comprar dólares para compor as reservas.
Entretanto, para manter as reservas internacionais, o país enfrenta o chamado “custo fiscal”, ou seja, a contrapartida da compra de moeda estrangeira é a emissão de títulos da dívida pública. Com isso, ao manter as reservas, o Brasil recebe juros internacionais menores, cerca de 2%, na aplicação das reservas e paga a taxa Selic, 12,25% ao ano, por conta da dívida interna com títulos.
O economista Décio Munhoz explica que o custo de se manter uma reserva de US$ 200 bilhões é de cerca de US$ 26 bilhões de gastos com juros.
- São mais de 40 bilhões de reais. Custa mais do que os investimentos do PAC em dois anos seguidos - afirmou.
Segundo o economista, a emissão de títulos é necessária para que o governo tenha mais reais para comprar os dólares.
- Toda a reserva internacional em um país devedor como o Brasil tem como contrapartida um custo financeiro, que é o custo da dívida pública. Poderia ser diferente se tivéssemos superávit fiscal, ou seja, sobrando moeda nas mãos do governo. Mas nós temos déficit - explicou.
- Ter reservas internacionais é bom quando se obtém de saldo de balanço de pagamento, como é o caso da China. Ou seja, ter dinheiro no banco, o que é uma reserva, é muito bom se decorre de ter uma renda acima dos meus gastos, quando se deposita o dinheiro que sobra. Ter reservas inter