Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Acre deve avisar governo peruano sobre exploração ilegal

Quinta, 16 de Fevereiro de 2006 às 19:34, por: CdB

O governo do Acre pretende organizar uma agenda para chamar a atenção do governo peruano ao problema de exploração ilegal de madeira em Envira (AC), região de fronteira entre Brasil e Peru. A informação é do secretário estadual de Povos Indígenas do Acre, Francisco Pinhanta.

- A exploração de madeira é muito forte do lado do Peru. Muitas áreas de concessão madeireira fazem fronteira com o Brasil. Estamos trabalhando numa agenda para suspender, junto com o governo regional do lado do Peru, essas concessões - disse.

Pinhata afirmou que o problema na região é antigo. Ele lembra que, no lado brasileiro, existem áreas de proteção demarcadas no Brasil, que incluem terras indígenas, reservas extrativistas e parques nacionais. No lado peruano, segundo ele, não existem essas definições e nem uma política que garanta a proteção. O secretário explicou que o fato de o Peru não ter essas áreas definidas faz com a exploração de madeira lá seja muito forte.

- No lado do Peru, essas áreas estão sendo ocupadas por madeireiros e essas atividades estão pressionando os índios que estão lá", observou. "Muitas áreas de concessão madeireira fazem fronteira com o Brasil. Então, corre o risco sim de ter sérios problemas no lado do brasileiro - acrescentou.

Segundo ele, o governo do Acre está reunindo órgãos brasileiros para fazer uma ação conjunta no sentido de tratar a questão da maneira que ela está sendo denunciada pela Frente de Contato da Fundação Nacional do Índio (Funai) na região.

- Se for necessário verificar in loco, a gente vai - completou.

A Frente de Proteção da Funai em Envira detectou a exploração, por madeireiras, de mogno em uma reserva para índios isolados no lado peruano. A extração ilegal foi identificada quando pranchas de madeira desceram para o território brasileiro pelas cabeceiras do rio Envira. A região da bacia do rio é habitada por várias etnias de índios isolados, sobretudo os Masko-Piro, do lado peruano, e os Pano, no Brasil, que são inimigos culturais. Devido à extração ilegal de mogno, os indígenas do lado peruano estão sendo forçados a deixar suas terras e passar para o lado brasileiro. O governo brasileiro teme que a situação gere conflitos entre os indígenas das duas etnias.

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