Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Acordo para livrar Sarney e Virgílio começa a tomar corpo no Senado

Um 'acordão' entre o PMDB e o PSDB está em marcha no Senado, com o objetivo de encerrar a crise com um empate técnico entre as acusações formuladas contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP) e contra o líder dos tucanos na Casa, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que corre o risco de ter o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. (Leia Mais)

Terça, 11 de Agosto de 2009 às 11:59, por: CdB

Um 'acordão' entre o PMDB e o PSDB está em marcha no Senado, com o objetivo de encerrar a crise com um empate técnico entre as acusações formuladas contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP) e contra o líder dos tucanos na Casa, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que corre o risco de ter o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. Líderes de ambos os partidos passaram a avaliar que os desgastes são maiores do que um possível ganho político em relação ao Planalto, com vistas às eleições do ano que vem. Ainda que, segundo senadores de ambas as legendas considerem uma costura difícil de ser realizada, o impasse ficou estabelecido após a leitura da representação dos peemedebistas contra Virgílio, sem contar com o fato de que a base aliada detém folgada maioria no Conselho de Ética.

Na manhã desta terça-feira, em conversas reservadas entre os senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Aloízio Mercadante (PT-SP), o recado para os tucanos foi claro: Se colocarem mais lenha na fogueira, a situação vai ficar quente para todos os lados. Pela oposição, negocia o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Apesar dos esforços para o entendimento, o próprio presidente da Casa, na manhã desta terça-feira, mandou mais uma estocada na oposição. Diante de vereadores, prefeitos, deputados e senadores amapaenses que foram prestar solidariedade, Sarney afirmou que foi atropelado por uma luta política que se desdobrou nos últimos meses e que resulta de sua influência na corrida pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

– Estamos numa Casa política. Pelo fato de minha luta política ter algum peso na sucessão desencadeou-se essa crise para enfraquecer o presidente da República. Não posso senão resistir e ser firme, com a certeza de minha consciência e lisura no trato com as coisas administrativas. A coisa mais grave de que me acusam é de que eu tinha pedido para nomearem o namorado da minha neta – afirmou.

No mesmo discurso para os políticos amapaenses, reunidos em círculo no gabinete da presidência, Sarney disse que, em 55 anos de vida pública, nunca foi envolvido em nenhum escândalo, sendo um contra-senso ser acusado disso agora:

– Nunca me acusaram de nada e agora desencadeia-se essa crise política. É essa consciência da tranquilidade que me dá forças. Se não fiz qualquer coisa de errada ao longo de minha vida pública, não esperaria 55 anos para fazer agora. Nunca me meti em qualquer coisa errada.

O encontro com Sarney foi pedido pelos próprios políticos amapaenses, interessados, segundo disseram, em trazer sua solidariedade ao presidente do Senado no momento em que ele enfrenta críticas lançadas pelos órgãos de imprensa. A vereadora Beta Moreira chegou a chorar, durante o encontro, dizendo-se ressentida com as críticas feitas a Sarney.

O senador Papaléo Paes (PSDB-AP) também falou para sustentar que toda a crise enfrentada pelo Senado "é um processo político, injusto e discriminatório". Apontando vários políticos tucanos ali presentes, o senador disse que o PSDB do Amapá está e sempre estará com Sarney. Dizendo-se também emocionado, Sarney afirmou que não esperava uma visita suprapartidária com tão intensa manifestação de solidariedade.

– Sempre tive manifestações de apoio e sustentação. Em nenhum momento recebi do Amapá senão essa força, para que eu possa enfrentar as injustiças que venho enfrentando – disse o presidente do Senado.

Resistência

Pouco antes das conversas com a base aliada, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), reuniu-se num café da manhã senadores do partido, o pedetista Cristovam Buarque (DF) e o peemedebista Jarbas Vasconcelos (PE) para uma avaliação da crise do Senado e a situação que se encontram os parlamentares que defendem o afastamento do presidente José Sarney (PMDB-AP).

Buarque afirmou que, no café da manhã na residência do presidente do PSDB, chegou-se a duas conclusões: o senador José Sarney deixou evidente que não pretende afastar-se do cargo e que a forma como os aliados do presidente vêm agindo desde a semana passada colocou o grupo numa situação de impasse.

– Eles nos colocaram numa situação que, em qualquer circunstância, vão achar [a população] que qualquer atitude nossa representará recuo ou o que é pior de covardia ou que temos o rabo preso”, afirmou o pedetista. Ele acrescentou que, agora, não há espaço para qualquer possibilidade de recuo. “Tiraram [os defensores de José Sarney] isso de nós – afirmou.

Guerra, por sua vez, destacou que a oposição dará andamento a estratégia já traçada de buscar aliados, especialmente senadores do PT, para que ao menos uma das representações contra o presidente Sarney tenha andamento no Conselho de Ética e denunciar, em plenário, toda manobra para tentar abafar as investigações. Além de Sérgio Guerra, Cristovam Buarque e Jarbas Vasconcelos participaram do café da manhã, também, os tucanos Arthur Virgílio (AM), Tasso Jereissati (CE) e Marisa Serrano (MS).

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