O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira em Lisboa que o acordo ortográfico da língua portuguesa deverá estar implantado no Brasil até 2011.
No início da 7ª Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Haddad apontou o acordo como uma peça-chave da cooperação com os países africanos.
- Estamos tendo conversas informais com grupos editoriais brasileiros, sobretudo os que trabalham com livros didáticos, prevendo um prazo de dois ou três anos (para a implementação do acordo) - disse o ministro.
Segundo ele, a idéia é levar a consulta pública dentro de 30 dias a minuta do decreto presidencial sobre o acordo.
- Pretendemos publicar esse decreto presidencial talvez ainda em setembro ou outubro - afirmou.
Segundo o ministro, a grande mudança a partir da unificação do português será política, em relação ao papel que a língua portuguesa tem no mundo.
- A ortografia muda muito pouco. Tanto no Brasil como em Portugal a expectativa é que a adaptação seja relativamente simples. Mas em foros internacionais e sobretudo na CPLP penso que a cooperação vai ser muito promovida. Imagine a dificuldade de uma língua ser (usada) em foros internacionais sem uma ortografia comum.
Mudanças
O acordo consagra mudanças relativamente pequenas. Segundo os linguistas que prepararam o acordo – Antônio Houaiss, pelo Brasil, e João Malaca Casteleiro, de Portugal –, 0,43% das palavras no Brasil e 1,42% em Portugal passarão por mudanças.
Os brasileiros deixam de utilizar acentos em vogais duplas como na palavra "voo", e os tritongos deixam de ser acentuados, como nas palavras "assembleia" ou "ideia".
Os portugueses perdem o "c" em "acto" e "tecto", o "p" em "óptimo" ou "Egipto" e as letras duplas em "connosco" ou "comummente".
No entanto, o acordo mantém divergências: os acentos são diferentes em "Antônio" e "António", "gênero" e "género". Portugal passa a escrever "receção" (com o mesmo som de recessão) em vez de "recepção".
E não há uma unificação da sintaxe e da semântica – em Portugal usa-se a forma "até ao fim" em vez de "até o fim", e costuma-se falar "sabe bem" para dizer que uma comida é saborosa.
Universidade
O ministro disse que uma parte importante da cooperação com os outros países de língua portuguesa será a criação da Universidade Luso-Afro-Brasileira, que deve ter sua sede em Redenção, no Ceará.
- O presidente ontem (quinta-feira) encaminhou ao Congresso Nacional a proposta de criação de uma universidade voltada para os países da CPLP. Vai se chamar Unilab, Universidade Luso-Afro-Brasileira, com o objetivo de criar um ambiente político-pedagógico voltado para a promoção da língua.
- A Universidade Luso-Afro-Brasileira só faz sentido na medida em que todos os países se pronunciem de maneira decisiva sobre o desejo de integração - completou.