Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Acordo entre DEM e PSDB paulistas não se reproduz em nível nacional

Quarta, 24 de Março de 2010 às 10:13, por: CdB

Enquanto o PSDB e o DEM chegam a um acordo para a eleição ao governo do Estado de São Paulo, prestes a anunciar o empresário Guilherme Afif Domingos como candidato a vice-governador na chapa de Geraldo Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, tenta demover a direção nacional dos tucanos da idéia de ter a chapa "puro-sangue", que significaria ele deixar de concorrer a uma vaga certa no Senado, para seguir com o desafeto paulista, José Serra, rumo a um embate contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua candidata ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff.

No caso paulistano, segundo os institutos de pesquisa, as chances dos dois candidatos da chapa de direita são mais palpáveis do que em nível nacional. Ambos ocupam secretarias do governo e devem se desincompatibilizar dos cargos para as eleições. O acordo entre os aliados foi sacramentado na noite passada, quando o chefe da Casa Civil do governo Serra, Aloysio Nunes Ferreira, avisou que pretende concorrer ao Senado, atendendo a um pedido do governador paulista.

O acordo foi aceito também pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB), que concorrerá na mesma chapa de Aloysio, à outra vaga ao Senado. Com o PMDB, a aliança reúne 60% do horário eleitoral no Estado, sendo 10 dos 18 minutos de programa a ser veiculado a partir de 17 de agosto.

O anúncio oficial da chapa, porém, deverá acontecer somente após o lançamento da candidatura de Serra à Presidência, no dia 10 de abril.

– A aliança com o DEM está resolvida. Devemos fazer um evento em abril – disse o presidente estadual Mendes Thame.

Soldado do partido

Prestes a deixar o governo, no dia 31 deste mês, após anunciar que pretende uma cadeira no Senado, o governador mineiro defendeu novamente, na noite passada, a tese de que os tucanos precisam de um vice que os ajude a ganhar a eleição defendeu nesta terça-feira que o PSDB aposte em um novo discurso que evite a tentativa do governo de tornar a corrida presidencial deste ano um plebiscito.

– Estarei à disposição do partido tanto em Minas quanto em nível nacional para fazer o que acho essencial, que é a construção do discurso do PSDB para apresentar à população. Porque vale a pena apostar na oposição e não na situação – disse.

O governador de Minas defendeu que a escolha do candidato a vice-presidente não deve mirar apenas o PSDB, conforme querem os simpáticos à chapa "puro sangue". Segundo Aécio, o PSDB tem de buscar o que for melhor para a legenda.

– A lógica não deve se prender ao PSDB ou fora do PSDB. Deve ser o nome que mais ajude para a vitória. Devemos buscar no momento certo com aliados o melhor nome dentro ou fora. Isso para mim não é relevante – declarou o tucano.

Nos últimos dias, com a confirmação do lançamento da candidatura do governador de São Paulo, José Serra, à Presidência, integrantes do Democratas, aliado dos tucanos nas últimas eleições presidenciais, começaram uma intensa disputa interna de olho na indicação para vice. A disposição de Aécio de não ser vice gerou atritos no Democratas. Uma ala do partido exige que o DEM indique o vice caso o governador mineiro não aceite mesmo a vaga. Outro grupo do partido diz que abriria mão da vaga se esse gesto fortalecesse a chapa e desse maior chance de vitória à oposição na eleição.

Aécio Neves disse que até maio vai definir o vice da sua chapa ao Senado Federal.

– Temos uma aliança muito ampla com 12 ou 13 partidos, temos que chegar a um consenso – concluiu.

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