Os líderes do mundo industrializado, reunidos na cúpula anual, estão próximos de um acordo para conter a disseminação de armas nucleares, afirmou na terça-feira uma importante autoridade norte-americana, que pediu anonimato.
Segundo a fonte, é "iminente" uma proposta que, entre outras coisas, suspenderia por um ano todas as novas transferências de equipamento ligado ao enriquecimento ou reprocessamento de urânio.
A cúpula do Grupo dos Oito (G8) acontece em uma ilha na costa do Estado de Geórgia, nos Estados Unidos, e tende a ser dominada pelo futuro do Iraque e pela pressão norte-americana por reformas no Oriente Médio.
A autoridade disse a repórteres que o acordo sobre armas incluiria a aprovação de uma resolução da ONU criminalizando a proliferação desses armamentos, além de sugerir reformas na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
No início do ano, o assunto voltou a preocupar o mundo quando se descobriu que o pai da bomba atômica paquistanesa, A.Q. Khan, havia colaborado com os programas de armas da Coréia do Norte, da Líbia e do Irã.
O integrante da administração Bush disse que o acordo do G8 -- formado por EUA, Grã-Bretanha, Canadá, França, Itália, Alemanha, Japão e Rússia -- também teria o objetivo de implementar formas de controle mais permanentes dessas armas até a cúpula do grupo em 2005.
Numa outra entrevista, o vice-assessor para segurança nacional dos EUA, Jim Wilkinson, disse que a cúpula reforçaria o papel fiscalizatório da AIEA.
"Acredito que vocês verão que estamos muito próximos de um acordo para novas iniciativas que aumentarão drasticamente os esforços da comunidade internacional para perseguir (as armas de destruição em massa)", afirmou Wilkinson.
Ele também citou a ampliação da PSI (Iniciativa de Segurança em Proliferação), que permitiria a policiais dos países participantes embarcar em navios suspeitos em alto-mar e vistoriar laboratórios em busca de possíveis armas ilegais.
A maioria dos líderes do G8 chegaria à ilha nesta terça-feira, mas seus assessores já negociam. Wilkinson citou outros acordos já alcançados -- propostas para combater a fome na África, o compromisso de erradicar a pólio até o fim de 2005, esforços para combater a pobreza e o desenvolvimento de uma vacina contra o HIV.
Os EUA e sua maior aliada, a Grã-Bretanha, estão otimistas de que o Conselho de Segurança da ONU aprove ainda nesta terça os planos para a soberania do Iraque. O novo presidente iraquiano, Ghazi al-Yawar, deve participar da cúpula para discutir seu país e o Oriente Médio em geral. Ele terá um encontro bilateral com Bush na quarta-feira.
A localização da cúpula, numa ilha, e o forte policiamento estão impedindo as manifestações típicas de reuniões como essa. O único ato aconteceu em Savannah, a 120 quilômetros da ilha, cidade que concentra a imprensa. Cerca de 200 pessoas fizeram uma passeata em protesto contra a guerra no Iraque, a legislação de segurança dos EUA e políticas do G8 que, segundo elas, beneficiam os ricos e prejudicam os pobres.