O ministro do Desenvolvimento, Industria e Comercio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse nese sábado, que o acordo que o Brasil fechou nesta quinta-feira com a China "resolve a questão têxtil".
- Nosso compromisso com os chineses é sempre buscar a via da negociação, em vez de recorrer à imposição de salvaguardas. É muito mais rápido dessa forma - disse Furlan em Cotonu, no Benin, onde acompanha a viagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz à África.
O ministro ainda afirmou que o acordo, que restringe a exportação de oito grupos de produtos têxteis (cerca de 70 itens) da China para o Brasil, pode servir de exemplo para outros setores, como calcados e brinquedos.
Entretanto, Furlan não demonstrou muito otimismo em relação a restrições em outras áreas, já que lembrou que até hoje os chineses não firmaram nenhum acordo que não fosse no setor têxtil. De acordo com o ministro, ele deve se encontrar "em breve" com o ministro do Comércio chinês, Bo Xilai, provavelmente em Genebra, para assinar o acordo, que passa a valer 30 dias após a assinatura. A comitiva do presidente chegou ao Benin na quinta-feira.
História
Antes de ser colonizada pelos franceses, no final do século 18, a região abrigava uma série de Estados independentes, incluindo o Reino de Daomé, quando a pequena extensão litorânea era utilizada para o tráfico de escravos. O país conquistou sua independência em 1960, dois anos antes da Argélia, e foi governado por uma série de líderes militares. Durante este período, até o major Mathieu Kerekou chegar ao poder, em 1972, o Benin viveu um período instável, que terminou após os primeiros anos de governo de Kerekou.
O militar instalou um regime socialista no país, que ficou conhecido como a "Cuba africana". Depois de uma crise econômica nos anos 80, o presidente resolveu abrir a economia do país. O Benin foi um dos maiores entrepostos de escravos entre os séculos 17 e 19, quando muitos foram levados ao Brasil. É por isso que o Benin ainda mantém um forte vínculo cultural com a Bahia. Os descendentes de escravos e comerciantes baianos que saíram do Brasil para o Golfo do Benin - os chamados agudás - representam entre 5% e 10% da população beninense.
A maioria mora na cidade de Uidá, que recebe a visita do presidente Lula nesta sexta-feira. Apesar de falar francês, os agudás têm muito orgulho de suas raízes brasileiras e conservam algumas tradições - a maioria da época do Brasil colonial. Todos os anos, eles pulam carnaval (bem mais modesto e simples do que os típicos desfiles brasileiros), além de celebrar a missa da Irmandade Brasileira de Nosso Senhor do Bonfim. Na visita que faz à cidade, Lula passará pelo Portal do Não-Retorno, pelo Forte de São João Batista de Ajuda, antiga base portuguesa, e faz uma visita à casa do vice-rei de Uidá, Mitô Honore Feliciano de Souza, o Chachá 8º.