Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Acordo climático deve ser limitado em Cancún

Quase 200 países se reúnem a partir do final do mês no México para tentar definir a criação de um fundo ambiental para países pobres e de outras medidas que levem à adoção de um novo tratado climático mundial, em meio a alertas de que a falta de ação está elevando os custos do combate às mudanças no clima.

Terça, 16 de Novembro de 2010 às 10:38, por: CdB

Quase 200 países se reúnem a partir do final do mês no México para tentar definir a criação de um fundo ambiental para países pobres e de outras medidas que levem à adoção de um novo tratado climático mundial, em meio a alertas de que a falta de ação está elevando os custos do combate às mudanças no clima. As expectativas de adoção desse tratado se frustraram na cúpula climática de Copenhague em 2009. Para a reunião deste ano as ambições também são menores. – Os países perceberam desde Copenhague que não há uma grande solução –, disse Christiana Figueres, chefe do Secretariado Climático da ONU. – Precisamos levar esse processo um passo adiante. Tudo me diz que há um acordo a ser feito –, disse ela, referindo-se à reunião de Cancún, entre 29 de novembro e 10 de dezembro. Mas até mesmo a adoção de um acordo limitado será um grande desafio, após um ano de intensas divergências entre EUA e China, os dois maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa. A China e outros países em desenvolvimento alegam que as nações ricas deveriam realizar reduções mais incisivas nas suas emissões; os EUA e outras nações desenvolvidas afirmam que grandes economias emergentes também precisam arcar com responsabilidades. – Que a China e os Estados Unidos estejam num impasse é um fracasso muito confortável para todos os envolvidos –, comentou Shane Tomlinson, diretora de desenvolvimento do instituto E3G, em Londres. Na semana passada, a Agência Internacional de Energia (AIE) disse em um relatório que o custo de uma ação firme contra o aquecimento global até 2030 subiu de US$ 17 para US$ 18 trilhões só por causa dos adiamentos nas decisões em 2010. – Se ainda não houver acordo em Cancún e na África do Sul (sede da reunião climática da ONU em 2011), esse custo irá subir mais, e isso tornará ainda menos provável que algum dia tenhamos um acordo –, disse Fatih Birol, economista-chefe da AIE. – Será definitivamente um acréscimo da ordem de centenas de bilhões de dólares –, afirmou. Os custos estariam relacionados à migração do uso de combustíveis fósseis para as energias "limpas", como a eólica e a solar. O objetivo das negociações de Cancún é prorrogar e ampliar o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. A atual versão do protocolo só exige cortes nas emissões dos países desenvolvidos, mas os EUA não participam. Outro impasse entre países ricos e pobres diz respeito aos cerca de US$ 30 bilhões da ajuda climática imediata para as nações em desenvolvimento, um dos poucos resultados concretos do evento de Copenhague-2009. Países em desenvolvimento dizem que a ajuda já liberada é insuficiente, e que grande parte está apenas sendo remanejada de verbas anteriores, em vez de ser um auxílio "novo e adicional" como previa o documento de Copenhague.

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