O governo está preocupado com a mudança de comportamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em diversas regiões do País, principalmente no Nordeste, onde está ocorrendo uma maior radicalização.
Pelo menos sete Estados estão recebendo atenção especial da União por causa da possibilidade de confrontos entre o MST e ruralistas, mas é no Rio Grande do Sul onde os serviços de inteligência e Segurança Pública detectaram uma pior situação de tensão no campo.
Na última terça-feira, secretários de Segurança Pública dos Estados entregaram um documento ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmando que é preciso desenvolver ações públicas para conter o avanço de conflitos rurais e urbanos.
- Os conflitos agrários referentes à posse e uso de terras não podem nem devem ser tratados como questão de polícia - diz a nota.
- Sempre dissemos que está questão é, antes de tudo, social - respondeu Thomaz Bastos.
- É preciso verificar a origem dos conflitos - ressalta o secretário de Segurança do Rio Grande do Sul, José Otávio Germano, presidente do Colégio Nacional de Secretários.
- O que queremos é evitar o derramamento de sangue - diz ele.
Segundo Germano, em seu Estado a situação está sendo conduzida pelo comitê de gestão, formado pelos governos estadual e federal.
Pelos levantamentos do governo, a situação está mais acirrada no Sul pelo fato de os ruralistas terem um perfil mais violento que nos demais Estados, enquanto que em Pernambuco o problema são os sem-terra.
- O MST é desorganizado, está rompendo um pacto interno de não radicalização, ao contrário do Rio Grande do Sul, onde o movimento tem um perfil pacifista. No Nordeste a imagem que o MST está passando é de desordeiros - analisa uma fonte da área de inteligência do governo.
O monitoramento dos conflitos sociais está sendo feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
- Não há calma no País na área de segurança pública. Vai ser necessário algum tempo para que isso aconteça, pois é um quadro que herdamos de governos anteriores - afirma uma fonte do governo.
Os levantamentos do Palácio do Planalto indicam que a situação é tensa, além do Rio Grande do Sul e Pernambuco, também na Paraíba, Alagoas, Paraná, São Paulo e Pará.
- São nestes Estados que estamos redobrando nossas atenções - observa a fonte.
O ministro Thomaz Bastos se recusou a comentar a decisão da Justiça gaúcha que interrompeu a marcha dos sem-terra mas membros do governo concordaram com a determinação.
Ações do MST são acompanhadas pelo governo em sete Estados
Terça, 12 de Agosto de 2003 às 23:07, por: CdB