A procura pelas ações da Natura ultrapassou em mais de 10 vezes a oferta, informaram nesta terça-feira à Reuters fontes que acompanharam o lançamento dos papéis. O preço unitário foi definido em 36,50 reais mas, de acordo com uma dessas fontes, poderia ter chegado ao teto de 38 reais previsto inicialmente.
O valor mais baixo de lançamento, no entanto, dá às ações mais potencial de valorização quando elas começarem a ser negociadas, na quarta-feira, na Bolsa de Valores de São Paulo.
"Não teria sido bom para os papéis no mercado secundário (se eles fossem vendidos no preço mais alto)", disse uma fonte que preferiu não se identificar.
As ações serão listadas no Novo Mercado da Bovespa, um ambiente de transações que envolve regras mais rígidas de respeito a direitos de acionistas minoritários.
Será o primeiro lançamento de ações na bolsa paulista em mais de dois anos, encabeçando a lista de uma dúzia de empresas que estudam a mesma operação, como Banco Santos, América Latina Logística (ALL), Gol, Nossa Caixa, Magazina Luiza, CPFL Energia e Microsiga, entre outras.
Foram vendidas 21 milhões de ações da Natura. O lote ofertado inicialmente, de 16,5 milhões de ações, foi aumentado, segundo outra fonte próxima ao processo, com a ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que converteu uma dívida da Natura em ações para participar da venda.
"Eles (do BNDES) aproveitaram a estrutura (armada para o lançamento) para vender", afirmou a fonte. O banco informou que vendeu 2,172 milhões de ações na oferta e arrecadou 79,3 milhões de reais.
Além disso, outros 2,5 milhões de papéis serão colocados no mercado, correspondentes aos 15 por cento de acréscimo ao lote inicial que os líderes da operação têm o direito de oferecer em caso de demanda forte (green shoe). Esses papéis já foram vendidos e serão entregues em 30 dias aos compradores, proporcionalmente ao lote que cada um comprou na oferta.
Conforme registro publicado no site da Comissão de Valores Mobiliários, a venda arrecadou 768,12 milhões de reais, já incluídas as ações referentes ao green shoe. Exceto pelas ações vendidas pelo BNDES, o restante provém de participações detidas pelos controladores da Natura e não configura aumento de capital.
Segundo fontes que acompanharam a distribuição dos papéis, houve forte demanda por estrangeiros e pequenos investidores no Brasil.
Do total vendido, entre 65 e 70 por cento ficarão nas mãos de estrangeiros. Dos 30 a 35 por cento que ficam no Brasil, cerca de 20 por cento ficarão com pequenos investidores, ou seja, todo o lote reservado para esse perfil de investidor no início da oferta. Segundo uma fonte, foram registradas ordens de compra no varejo por mais de mil CPFs.
Foram os estrangeiros e os pequenos investidores que, conforme essas fontes, garantiram um preço próximo ao teto da faixa de 32 a 38 reais prevista pelos coordenadores da venda, apesar da turbulência atravessada pelo mercado.
Segundo o gestor de um fundo que tentava comprar ações da Natura, o interesse de investidores estrangeiros deriva da boa performance recente dos papéis da Avon, concorrente direta da Natura no Brasil.
Os papéis da Avon, listados na Bolsa de Nova York, permanecem próximos ao maior patamar histórico desde o fim de abril, quando a empresa divulgou um lucro no primeiro trimestre 50 por cento superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A companhia citou as vendas na América Latina como uma das razões para a melhora no resultado.