O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) garantiu aos imigrantes em greve de fome em um centro de detenção de Nauru que revisará seus casos e pediu o fim do protesto, informou nesta segunda-feira, a imprensa australiana.
O representante regional da Acnur, Michael Gabaudan, garantiu que seu organismo começou a revisar as solicitações de exílio de vários dos detidos em Nauru e apontou que "algumas pessoas serão reconhecidas" como refugiados.
- Acreditamos que é correto que os grevistas ponham fim a sua atitude agora - disse Gabaudan, que considerou que prolongar o protesto que começou no dia 10 de dezembro "não mudará" a atitude da Acnur.
O funcionário afirmou que o processo de revisão demorará um mês, até o final de janeiro.
Gabaudan acrescentou que esperam que as autoridades australianas façam o mesmo depois com os outros 200 afegãos detidos no centro de Nauru desde 2001.
Cerca de 35 imigrantes continuam na greve de fome, quatro deles com os lábios costurados.
O Governo da Austrália, que abriu e financia esse centro, garante que as vidas dos grevistas não correm perigo, embora outras fontes dizem que se encontram gravemente doentes.
O governo conservador australiano pôs em prática em agosto de 2001 a denominada "Solução Pacífica" ante o aumento considerável do número de estrangeiros que chegavam na Austrália na busca de refúgio.
O plano traçado pelo Executivo do primeiro-ministro John Howard consiste em situar os "que procuram exílio" em terceiros países -Nauru e Papua Nova Guiné-, enquanto as agências da ONU pertinentes tramitam seus papéis.
Nauru, um país do Pacífico dependente da Austrália até sua independência em 1968, recebeu de Canberra cerca de 25 milhões de dólares por sua cooperação. Calcula-se que há cerca de 280 imigrantes detidos ali, 93 deles menores.