Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

Acnur envia primeira equipe para operação no Oriente Médio

Quinta, 20 de Julho de 2006 às 07:25, por: CdB

Uma equipe de 11 funcionários do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) viajou, nesta quinta-feira, ao Oriente Médio para reforçar seu pessoal na região e avaliar a situação dos milhares de deslocados por causa dos ataques entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah.

- O grupo chegará a Damasco e dali viajará nos próximos dias ao Líbano - afirmou um comunicado do órgão humanitário, que prepara uma operação "multimilionária" para ajudar os milhares de deslocados nessa região.

O diretor do Acnur para o Oriente Médio, Ekber Menemencioglu, disse que, em primeiro lugar, serão mobilizadas as unidades móveis de emergência e haverá a supervisão dos movimentos de refugiados nas fronteiras e no interior do Líbano.

Com várias reservas de provisões humanitárias na Síria e na Jordânia, como tendas, cobertores e lonas, a organização internacional calcula que está preparada para responder a qualquer necessidade.

O Acnur também informou que o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Jan Egeland, pediu a ajuda da agência humanitária para enfrentar a crise, depois que o Governo libanês solicitou assistência às Nações Unidas.

O órgão da ONU também disse que a chamada da ONU à comunidade internacional ainda não está preparada, o que acontecerá nos próximos dias.

Por enquanto, a organização humanitária já está supervisionando os fluxos de refugiados que saem do Líbano para Síria e Chipre.

O fluxo de libaneses em direção à Síria é uma "afluência oculta", já que a maioria dessas pessoas que "deixam seu país, encontram refúgio em casa de amigos e parentes", disse Menemencioglu.

O responsável do Acnur explicou que "cerca de 640 famílias se refugiaram nas escolas onde recebem a assistência do Crescente Vermelho sírio".

No Chipre, o escritório do Acnur registrou a entrada de 200 libaneses, mas a maioria deles chegou por conta própria e viajou para outros países.

Diante da situação especial criada pelo conflito envolvendo Israel e Líbano, o Governo cipriota suspendeu as expulsões de trabalhadores ilegais libaneses para o país de origem, informa o Acnur.

Os cerca de 20 mil refugiados ou solicitantes de asilo procedentes do Iraque e do Sudão que vivem em Beirute pediram ao Acnur que sejam levados de navio ao Chipre.

Por enquanto, a agência da ONU tenta solucionar suas necessidades mais imediatas, e os enviou a vários abrigos.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Louise Arbour, mostrou sua "extrema preocupação" diante do número de mortos e feridos no Líbano, Israel e nos territórios ocupados palestinos.

Em declaração escrita, Arbour afirma que todas as partes têm obrigação de "respeitar o princípio de proporcionalidade em todas as operações militares, assim como evitar sofrimentos desnecessários entre a população civil".

- O bombardeio indiscriminado de cidades é um ataque contra civis previsível e inaceitável -afirma a alta comissária, que também considera "injustificáveis" os ataques contra alvos "militarmente relevantes, que invariavelmente matam pessoas".

Além disso, considera prioritária a criação de um "corredor de segurança e sem restrições para a assistência humanitária".

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