O Estado gasta R$ 28 bilhões com acidentes de trânsito no Brasil, segundo dados estimados pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). Esses gastos vão desde o atendimento à vítima do acidente, a entrada em hospitais até o afastamento do trabalho. De acordo com dados da ANTP, a partir da média entre os anos de 2003 e 2006, o trânsito brasileiro faz milhares de vítimas por ano - 34 mil mortes; 100 mil pessoas adquirem deficiências temporárias ou permanentes; 400 mil ficam feridas.
Os números estão no estudo Trânsito no Brasil Avanços e Desafios, que será lançado nesta terça-feira em São Paulo para marcar o décimo ano de promulgação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Segundo a ANTP, o quadro do trânsito brasileiro "se traduz em mais uma enorme fonte de instabilidade emocional e social". Para a associação, grande parte da sociedade e seus governantes ainda preferem aceitar que esses "acidentes" são decorrências naturais de um conjunto de fatalidades. "Mas, lentamente, a minoria vai entendendo que os acidentes são, na realidade, fatos programados e como tais, conseqüência direta da nossa visão sobre o assunto", diz o estudo.
Para a associação, o Código de Trânsito Brasileiro é um código de comportamento, de civilidade, de exercício da promoção do bem-estar social. "O que se espera da sociedade e dos governantes é que compreendam o sentido socioeducativo da lei, pois o não-entendimento desse fator custa muito caro ao País".
Números
O livro traz diversos números sobre o trânsito nacional. São 40 milhões de veículos registrados, sendo que 27 milhões se encontram em circulação, dos quais um terço é revendido anualmente - ou seja, cerca de 9 milhões de automóveis trocam de proprietários todos os anos. Por ano, também, quase 3 milhões de veículos (1 milhão só de motocicletas) entram no mercado brasileiro, e estima-se que o setor movimente R$ 100 bilhões.
Já o cadastro de condutores registra aproximadamente 40 milhões de motoristas. Anualmente, 1,7 milhão de pessoas obtêm a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) - grande parte de jovens com idade entre 18 e 24 anos -, e cerca de 1 milhão de condutores renovam sua habilitação. Segundo a ANTP, 30% das infrações cometidas no trânsito ocorrem fora do Estado em que o veículo é registrado, não sendo punido o condutor e não sendo cobrada a multa cabível. Isso representa uma evasão anual de receita de R$ 1 bilhão.
Já o transporte rodoviário representa 63,7% entre as modalidades de transporte de cargas, seguida do ferroviário, com 20,7%, e do hidroviário, com 11,5%. A grande maioria dos produtos perigosos, de acordo com a ANTP, é transportada por rodovias, onde circulam mais de 3 mil produtos, entre eles, líquidos inflamáveis, explosivos, gases, materiais radioativos e outros.
Fundada em 1977, a associação tem por objetivo promover ações que contribuam para a garantia do direito ao transporte público de qualidade, à cidadania no trânsito e à mobilidade urbana sustentável. Para alcançar suas metas, a ANTP desenvolve o projeto Mobilidade Cidadã para Todos, que se estrutura nos eixos: transporte público de qualidade, paz no trânsito e cidade saudável.