As lan houses perderam o posto de principal ponto de acesso à internet no Brasil em 2009. As conexões domésticas corresponderam a 48% dos acessos nacionais no ano passado, contra 45% das feitas em lan houses, segundo a quinta edição da pesquisa TIC Domicílios 2009.
Chamadas de Centro público de acesso pago pelo responsável pela pesquisa, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), as lan houses perderam a liderança entre os pontos mais populares de acesso à internet no Brasil em 2007 e 2008.
A troca de posições tem relação direta com o aumento tanto na compra de computadores como na contratação de conexões de banda larga em 2009, segundo o NIC.br - ambas as categorias experimentam as maiores taxas de crescimento desde 2005.
Segundo a pesquisa, 32% dos domicílios brasileiros possuem computadores, contra 25% em 2008. As conexões de banda larga estão presentes em 24% dos lares, contra os 18% registrados no ano passado.
As participações de PC e internet nos lares brasileiros sobiram para 36% e 27%, respectivamente, se considerados apenas os centros urbanos, já que o NIC.br estendeu sua pesquisa para moradores de áreas rurais apenas em 2008.
Os crescimentos na venda de PCs e conexões de banda larga refletem as condições econômicas favoráveis do Brasil durante 2009, e não alguma nova iniciativa de inclusão voltada especificamente ao setor, como afirma o coordenador do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), Alexandre Barbosa.
Os principais beneficiados pela conjuntura do país no ano passado, mostra a pesquisa, foram os que têm renda mensal de até três salários. Em 2009, a banda larga atingiu 4% dos que ganham até um salário mínimo (contra 1% em 2008), 12% com renda entre um e dois salários mínimos (contra 5% em 2008) e 30% com renda entre dois e três salários mínimos (contra 17% em 2008).
A pesquisa aponta para um cenário que deverá se aprofundar nos próximos anos em que a lan house perde espaço como simples ponto de acesso para as conexões domésticas, mais acessíveis às classes menos abastadas, e se transformam em centros de serviço para a comunidade.
Além da manutenção da estabilidade financeira, programas que oferecem conexões de banda larga a preços populares (já disponíveis em São Paulo, por exemplo) e a discussão sobre o Plano Nacional de Banda Larga do Governo Federal apontam para uma popularização ainda maior da banda larga entre as classes mais pobres.
A TIC Domicílios 2009 foi realizada com 21.498 entrevistados entre 21 de setembro e 27 de outubro do ano passado nas cinco regiões brasileiras. O estudo pode ser acessado na íntegra no site do NIC.br.