No texto de hoje gostaria de compartilhar com vocês um aspecto da vida que pode refletir muito na saúde. Existem situações na vida - e aqui especificamente me refiro a situações dolorosas - que se apresentam de uma forma que não nos resta outra saída senão aceitá-las. A aceitação como postura, na espiritualidade, na conscientização e na psicologia humana, geralmente se refere a experienciar uma situação sem a intenção de mudá-la.
De fato, a aceitação é freqüentemente aconselhada quando uma situação é tanto ruim, quanto imutável, ou quando a mudança só é possível a um grande preço ou risco. Em outras palavras, não temos controle sobre os acontecimentos e movimentos da vida, nem sobre os sentimentos nossos ou de outras pessoas, por isso a forma como lidamos com as situções pode fazer toda a diferença. Aceitar não significa se resignar. Qualquer situação que se apresenta de forma insuportável, pode e deve ser questionada e se possível transformada.
Alguém pode decidir não agir contra uma situação dolorosa e ainda assim não aceitá-la. Mas pode ter certeza que lutar contra alguma situação, como por exemplo, a perda de um amor, pode significar muito esforço, tristeza e dores que levam ao stress, ao desequilíbrio emocional e a uma inquietação, ambos insuportáveis que a longo prazo afetam todo o nosso organismo podendo trazer disturbios sérios como a depressão e a ansiedade e também doenças graves como o câncer.
Não aceitar uma situação pode nos arremessar numa situação de paralisia, estagnação, ressentimento, culpa e também de uma cegueira que nos impede de olhar em volta e perceber que a vida continua e acontece para além dos nossos umbigos. As pessoas continuam suas tarefas diárias, os amantes continuam em busca de seus amores, o sol continua a nascer e a se pôr, as flores nascem, vivem e morrem, ou seja, tudo segue seu curso, mesmo que para você a vida não faça mais sentido naquele momento.
Por outro lado, quando aceitamos uma situação por mais dolorida que seja, já estamos de certa forma encontrando a cura e o corpo vai naturalmente entrando num estado de calma. A aceitação dos próprios limites e experiências é uma forma de perdoar-se amorosamente pela impossibilidade de fazer algo diferente naquele momento. É uma forma de libertação.
Maria Beatriz Whitaker Penteado
biapenteado@uol.com.br
Rio de Janeiro, 02 de Novembro de 2026
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