Rio de Janeiro, 03 de Maio de 2026

Acareação ameaça cargo de secretário de Lula

Em depoimento nesta terça-feira, à CPI dos Bingos, o juiz João Carlos da Rocha Matos, preso há quase dois anos por venda de sentenças, reafirmou aos deputados o que havia dito à revista Veja, no início deste mês: que ouviu gravações que comprometeriam o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, no caso da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. (Leia Mais)

Terça, 25 de Outubro de 2005 às 12:30, por: CdB

Em depoimento nesta terça-feira, à CPI dos Bingos, o juiz João Carlos da Rocha Matos, preso há quase dois anos por venda de sentenças, reafirmou aos deputados o que havia dito à revista Veja, no início deste mês: que ouviu gravações que comprometeriam o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, no caso da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. Nesta quarta, é o dia da acareação entre com os irmãos de Celso Daniel, assassinado em 2002, e o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, acusado de ser cúmplice na arredação de propina no município paulista.

Segundo assessores do presidente, Lula estaria preocupado com a acareação e, conforme o desenrolar dos fatos, Carvalho poderá ser demitido do cargo. Para acompanhar de perto os acontecimentos, Lula teria cancelado a viagem prevista ao Sul do país. O depoimento de Rocha Matos, marcado inicialmente para a manhã desta terça, somente teve início no meio da tarde. Preso em 2003, durante operação da Polícia Federal, Rocha Matos revelou, em entrevista à Veja, que Gilberto Carvalho orientava as pessoas ligadas a Celso Daniel sobre como depor no caso Santo André, além de mostrar grande preocupação com a investigação policial.

Segundo o juiz, ele ouviu 42 fitas gravadas entre janeiro e março de 2002, com telefonemas entre pessoas envolvidas no crime. Em uma destas ligações, quando Carvalho ainda ocupava a Secretaria de Governo da Prefeitura de Santo André, ele pedia à namorada de Daniel, Ivone de Santana, que se mostrasse abalada com a morte de Celso Daniel, durante entrevista à imprensa. Rocha Matos suspeitou, na época, de que Carvalho queria dificultar a descoberta da ligação da morte de Daniel com o esquema de corrupção existente na cidade e que beneficiaria o PT.

João Francisco Daniel, um dos irmãos do prefeito assassinado, denunciou à CPI dos Bingos que Carvalho teria admitido, em um telefonema, o esquema de corrupção, além de confessar que lhe cabia entregar o dinheiro obtido de empresários achacados ao então presidente do PT, José Dirceu. Carvalho, que já negou tudo na CPI, a portas fechadas. Celso Daniel foi seqüestrado na noite de 18 de janeiro de 2002. Ele estava em um carro guiado pelo ex-segurança e empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra. Dois dias depois, o corpo foi encontrado com marcas de tiro. Sombra foi acusado pela promotoria de ser o mandante.

Segundo integrantes do Ministério Público, a morte do prefeito está relacionada com um suposto esquema de corrupção montado durante a gestão dele na prefeitura de Santo André e que, por não concordar com esse esquema, Daniel teria sido morto. Em agosto deste ano, a Polícia Civil reabriu as investigações.

A CPI também decidiu pela convocação do presidente do Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), Paulo Okamotto. Ele teria pago uma dívida pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o PT, no valor de R$ 29.436,26, entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2004. De acordo com nota divulgada pelo partido por ocasião das denúncias, a dívida seria relativa a despesas com viagens em 2002.

Tags:
Edições digital e impressa