Os carcereiros dos EUA na prisão da Baía de Guantánamo espancaram um prisioneiro da Bósnia tão violentamente que ele sofreu uma paralisia facial. Além disso, eles enfiaram a cabeça dele em um vaso sanitário, dando descarga diversas vezes até quase afogá-lo, disse uma açáo judicial iniciada por advogados dos prisioneiros..
A ação judicial, cujo alvo é o atual governo norte-americano e que foi iniciada em uma corte de Boston, contava com detalhes vários espancamentos de que foi vítima o detento Mustafa Ait Idir na prisão montada na base naval de Guantánamo, em Cuba.
Os EUA o mantêm detido na qualidade de "combatente inimigo" desde janeiro de 2002 sem uma acusação formal. Outras 540 pessoas também estão presas em Guantánamo. O Pentágono nega-se a discutir casos individuais, mas ressaltou que a política norte-americana proíbe a tortura.
A ação judicial foi iniciada pelos advogados de seis prisioneiros de Guantánamo. Os representantes legais pedem que a Justiça obrigue o governo a fornecer documentos, fichas médicas e vídeos concernentes ao campo de prisioneiros. O pedido baseia-se na Lei de Liberdade de Informação.
Os homens foram detidos pelo governo da Bósnia como resposta a um pedido dos EUA, em outubro de 2001, sob a acusação de planejarem ataques contra as embaixadas norte-americana e britânica em Sarajevo. Mais tarde, os acusados acabaram sendo entregues aos EUA.
A ação judicial alega que os guardas da prisão entraram na cela de Ait Idir uma vez, prenderam as mãos dele nas costas e "jogaram seu corpo e sua cabeça contra a cama de metal".
Segundo a acusação, os guardas intensificaram o espancamento.
- Eles o pegaram de novo, enfiaram a cabeça do senhor Ait Idir em uma privada e deram descarga várias vezes. O senhor Ait Idir começou a sufocar e temeu que morreria afogado - disse.
Depois de retirá-lo de sua cela, eles "o deitaram no chão e enfiaram uma mangueira de jardim na boca dele. Eles abriram a torneira. Quando a água começou a correr, o senhor Ait Idir começou a engasgar. Havia água saindo da boca e do nariz dele.
Em um dos episódios de violência, um dos guardas da prisão de Guantánamo quebrou um dos dedos de Ait Idir, disseram os advogados dele. Dias mais tarde, segundo a ação judicial, os guardas o jogaram no chão e um dos agressores ficou pulando sobre a lateral da cabeça dele com todo o peso de seu corpo. Ait Idir teria sofrido um derrame depois da agressão, ficando com metade do rosto paralisado. O rosto do detento continua marcado, mas a paralisia se foi.