Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Ação da polícia deixa 25 mortos em favelas do Haiti

Domingo, 05 de Junho de 2005 às 07:19, por: CdB

Pelo menos 25 pessoas foram mortas em incursões da polícia em favelas da capital do Haiti na sexta-feira e no sábado, depois que o governo anunciou que atuaria contra gangues, disseram testemunhas.

Funcionários do necrotério do Hospital Geral disseram que foram levados para o local 17 corpos no sábado e três na sexta-feira, depois das ações em Bel-Air e em outras favelas de Porto Príncipe, centros de apoio do presidente afastado Jean-Bertrand Aristide.

Um jornalista da Reuters também viu cinco outros corpos em diferentes áreas de Bel-Air. Moradores disseram que eles foram mortos a tiros por policiais e acusaram a polícia de ter incendiado casas.

Autoridades policiais não comentaram de imediato o número de mortos e não ficou claro se as vítimas morreram nas ações, ou se algumas foram atingidas quando membros de gangues reagiram com disparos.

O governo interino do Haiti, que tem apoio de uma força de manutenção da paz da ONU com 7,4 mil homens chefiada pelo Brasil, tenta estabilizar este país pobre do Caribe desde que Aristide fugiu para o exílio com a chegada de rebeldes armados à capital, em fevereiro de 2004.

Grupos de defesa dos direitos humanos acusam a polícia do Haiti de execuções sumárias e abusos contra simpatizantes de Aristide ¿ o governo nega estas alegações.

Na sexta-feira, o ministro da Justiça, Bernard Gousse, e outras autoridades disseram que o governo adotaria ações duras contra gangues armadas nos bairros pró-Aristide, para onde teriam sido levadas centenas de pessoas sequestradas nos últimos meses.

Pelo menos 740 pessoas morreram em consequência da violência política e criminal no Haiti desde setembro.

O coronel Carlos Barcelos, porta-voz das forças da ONU em Bel-Air, disse que o contingente brasileiro não participou das ações policiais, mas que estabeleceu postos de controle e fez a segurança na região.

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