A comercialização de créditos de carbono e a imposição de taxas sobre transações cambiais estão entre as origens sugeridas para a verba de US$ 100 bilhões por ano que os países pobres esperam receber a partir de 2020 para o combate e adaptação à mudança climática, segundo um esboço feito por consultores da ONU. O documento mostra que o grupo presidido pelos primeiros-ministros Jens Stoltenberg (Noruega) e Meles Zenawi (Etiópia) admite que tanto o setor público quanto o privado terão de oferecer recursos. Nações industrializadas se comprometeram no ano passado numa cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) em Copenhague, na Dinamarca, com a meta de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para a ajuda climática aos países em desenvolvimento. Um grupo de especialistas foi então criado pela entidade para sugerir como fazer isso. Segundo o texto preliminar, a taxa cambial poderia gerar US$ 2 a 27 bilhões; uma taxa sobre navegação renderia US$ 4 a 9 bilhões; o imposto sobre aviação contribuiria com US$ 2 a 3 bilhões; US$ 3 a 8 bilhões viriam da retirada de subsídios a combustíveis fósseis; e US$ 8 a 38 bilhões seriam oriundos de leilões de créditos para a emissão de carbono. O relatório de 35 páginas, redigido pouco antes da reunião final do grupo, ocorrida em 12 de outubro na Etiópia, apresenta diversas opções de financiamento, e diz que parte da verba seria na forma de empréstimos, e não de doações. Mas o texto admite que há objeções a várias das sugestões, como a imposição de um imposto de 0,001 a 0,01% sobre as transações cambiais que, segundo estimativas, podem alcançar US$ 756 trilhões em 2020. – A falta de aceitabilidade política e questões não resolvidas sobre a incidência dos países em desenvolvimento ... dificultam sua implementação universal –, diz o texto. Outra possibilidade citada no documento, mas também considerada politicamente improvável, é o uso de verbas dos Direitos Especiais de Saque, uma reserva do FMI. Essa ideia foi lançada no ano passado pelo investidor George Soros. Ainda segundo o documento, o mercado dos créditos de carbono, levando em conta um valor de US$ 20 a 25 por tonelada de dióxido de carbono emitido em 2020, é um "elemento chave" para alcançar a cifra anual de US$ 100 bilhões. O grupo apresentará a versão final do texto na quinta-feira ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Em meio a problemas orçamentários, os países desenvolvidos relutam em tirar dos seus cofres a verba climática para as nações em desenvolvimento. Mesmo assim, o documento diz que a liberação de US$ 100 bilhões por ano seria "desafiadora, mas factível" -- frase já usada por Stoltenberg após a reunião final em Adis Abeba. Alguns países em desenvolvimento e grupos ambientais querem que todo o dinheiro seja na forma de doações governamentais, em vez de partir do setor privado ou chegar na forma de empréstimos.
Ação climática será financiada por carbono e taxa cambial
A comercialização de créditos de carbono e a imposição de taxas sobre transações cambiais estão entre as origens sugeridas para a verba de US$ 100 bilhões por ano que os países pobres esperam receber a partir de 2020 para o combate e adaptação à mudança climática, segundo um esboço feito por consultores da ONU.
Sábado, 30 de Outubro de 2010 às 12:53, por: CdB