A prisão de Abu Ghraib não pode mais ser demolida. Um juiz militar dos EUA ordenou nesta segunda-feira que a prisão, cenário dos abusos cometidos contra prisioneiros por parte de tropas americanas, seja declarada cena de crime.
Com isso, a instalação não poderá ser demolida como chegou a sugerir o presidente George W. Bush. O juiz também recusou os recursos dos advogados de três dos soldados americanos acusados de maltratar presos iraquianos em Abu Ghraib para que os réus fossem processados fora do território iraquiano.
O advogado de um dos acusados disse que tentará arrolar como testemunha de seu cliente o presidente dos EUA e o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld.
Ainda nesta segunda-feira, uma corte militar americana em Bagdá iniciou audiências preliminares dos julgamentos de três soldados acusados de torturas contra prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib, reavivando o escândalo das fotos de humilhações sexuais e físicas que causaram indignação internacional.
Os advogados do especialista militar Charles Graner e dos sargentos Ivan Frederick e Javal Davis tentaram levantar dúvidas sobre a participação de seus clientes em ações ilegais, insistindo que eles seguiram ordens de oficiais superiores e de setores da espionagem militar. Se considerados culpados no julgamento, os três podem ser condenados a penas de até 18 anos de prisão.
O juiz militar coronel James Pohl negou o pedido de Paul Bergrin, advogado de Javal, que queria uma nova audiência para seu cliente. Além disso, Bergrin disse que arrolaria o presidente Bush e Rumsfeld como testemunhas da defesa, alegando que os dois deixaram de lado a Convenção de Genebra na guerra ao terror.
- Bush fez um discurso declarando sua guerra contra o terror e disse que a Convenção de Genebra já não se aplicava - disse o advogado a jornalistas.
Ele acusou Rumsfeld e outros altos funcionários dos EUA de tentarem redefinir maus tratos e torturas em uma campanha destinada a influenciar os advogados do Departamento de Justiça dos EUA.
O julgamento está sendo realizado na chamada Zona Verde, sede da coalizão e uma área fortemente patrulhada por tropas dos EUA. Esse é o segundo julgamento de militares americanos acusados de tortura desde que o suboficial Jeremy Sivits se sentou no banco dos réus em 19 de maio. Sivits, de 24 anos, foi considerado culpado, expulso do Exército e condenado a um ano de prisão.