No primeiro acordo a envolver um grande grupo de mídia do Brasil desde que o setor foi aberto para investimentos estrangeiros, em 2002, a editora Abril anunciou nesta quarta-feira que venderia uma pequena participação societária para o fundo de investimento norte-americano Capital International Inc.
Um porta-voz da Abril disse que a Capital International, subsidiária da Capital Group, pagaria R$ 150 milhões por uma participação de 13,8% na empresa, editora da revista Veja e de outras publicações de grande circulação.
A Abril também anunciou em comunicado que o acordo, parte dos esforços do grupo para reestruturar e negociar suas dívidas, deverá fortalecer e deixar companhia pronta para novos investimentos.
"O acordo é histórico", disse o presidente da Abril, Roberto Civita, cuja família continuará "com total controle sobre o conteúdo editorial" do grupo.
"Somos os primeiros a usar uma lei elaborada não apenas para manter a independência da mídia brasileira, mas também para construir uma indústria editorial mais forte, com companhias sólidas, verdadeiramente comprometidas com a consolidação da democracia e da livre iniciativa no país", disse Civita em comunicado.
Embora seja mais conhecida por seu império editorial, o grupo também tem subsidiárias no setor de internet e TV a cabo.
Segundo a própria empresa, a Abril publica sete das 10 maiores revistas em circulação no país. Além disso, o grupo afirma que a Veja é a quarta maior revista semana em circulação no mundo. Em 2003, a Abril registrou faturamento líquido de 1,9 bilhão de reais.
O setor de mídia brasileiro foi aberto a investimentos internacionais em outubro de 2002, quando o Congresso aprovou uma emenda constitucional para permitir que estrangeiros comprem até 30 por cento de participação em emissoras de TV, rádio ou editoras.
Embora alguns dos maiores conglomerados de mídia do mundo tenham anunciado que estão atentos ao mercado brasileiro para possíveis investimentos, nenhum deles chegou a fazer uma grande aquisição no país.
Analistas do setor afirmam que muitos investidores estão apenas aguardando que as empresas brasileiras reestruturem suas operações e dívidas antes de fazer qualquer proposta.