Nesta data, 6 de abril, nascia, há 211 anos, José Inácio de Abreu e Lima. O revolucionário pernambucano participou de insurreições derrotadas pelo governo imperial no Brasil e, depois, ao lado do general Simon Bolívar, conquistou a independência de diversos países latino-americanos. Hoje, Abreu e Lima é lembrado como herói em países como a Venezuela, mas sua história ainda é pouco conhecida no Brasil.
"Servi sempre à causa da liberdade e independência da América. Minha causa é dirigida ao povo, é às massas que chamo, porque sou parte delas, sou um dos muitos, sou um membro desse todo que depreciam a todo instante, e a quem chamam vil canalha mais de uma vez, depois de havê-lo enganado para encher seus bolsos, para enriquecer à custa de sua boa-fé", escreveu o brasileiro ao fim de seus dias, segundo recente folheto editado pelo governo venezuelano para divulgar a biografia do líder revolucionário, intitulada Abreu e Lima - General de Massas.
- No Brasil, Abreu e Lima esteve sempre do lado perdedor. A historia é escrita pelos vencedores. Lá, na América Hispânica, ele é um grande vencedor - explica o cientista político e professor da Universidade de Brasília Vamireh Chacon, autor do livro Abreu e Lima: General de Bolívar.
Em 25 de abril de 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, inauguraram na praça São José, no município de Abreu e Lima, a 30 km de Recife, os bustos em memória e homenagem ao general José Inácio de Abreu e Lima e a Simon Bolívar.
Segundo o livro de Chacon, Lima nasceu em 1794, na cidade do Recife. Seu pai, conhecido como Padre Roma, foi dispensado dos votos clericais pelo Papa e tornou-se um revolucionário antes mesmo do filho. Quando a Revolução de 1817 estoura em Pernambuco, Lima é preso e transferido para a Bahia. Nessa mesma época, soube da detenção de seu pai, que se envolveu em uma missão fracassada e mais tarde foi fuzilado. Por ser capitão do exército português, Lima foi obrigado pelo governo colonial a acompanhar o fuzilamento de seu próprio pai.
Em seguida a esse incidente, e depois de diversas perseguições políticas sofridas no Brasil, Lima se exilou nos Estados Unidos. Segundo o professor Chacon, ele saiu do país com seu irmão ao saber da existência de movimentos libertadores na Venezuela. O livreto venezuelano conta que Abreu e Lima contou com o apoio da maçonaria nessa viagem.
Chacon conta em seu livro que Bolívar chega a receber uma carta de Abreu e Lima oferecendo seus serviços.
- Simón Bolívar o acolheu porque precisava de oficiais para seu nascente exército.
Em 1819, Abreu e Lima foi integrado às forças bolivarianas junto a outros estrangeiros, como oficial do primeiro exército de libertação das Américas, para lutar pela independência da Colômbia e da Venezuela.
Abreu e Lima lutou junto ao Libertador Bolívar na primeira grande batalha de libertação, a chamada Batalha de Boyacá, onde se conquistou a independência da Colômbia. O brasileiro redigiu uma descrição da batalha, assinada por Simón Bolívar. Segundo Chacon, esse relato é considerado a proclamação da independência da Colômbia. Os dois também participaram da Batalha de Carabobo, que, após uma longa campanha, deu a independência à Venezuela.
Após essas batalhas, vários oficiais pan-americanos traíram Bolívar, interessados em sucedê-lo. Esse grupo o obrigou a seguir para o exílio, mas, antes de sua morte, ele solicitou a Abreu e Lima que fizesse por escrito e publicasse em livro a sua última defesa.
- Depois da morte, Lima considerou a sua missão encerrada e continuou fiel à memória de Simón Bolívar - diz Chacon.
Quando retornou ao Brasil, Abreu e Lima foi recebido com desprezo e escárnio em sua terra natal, segundo o livreto venezuelano. O Quixotismo do General das Massas era o título de uma comédia encenada em Pernambuco na época.
Abreu e Lima entendeu que o l
Abreu e Lima: o brasileiro que virou herói no exército de Bolívar
Quarta, 06 de Abril de 2005 às 11:40, por: CdB