Rio de Janeiro, 09 de Outubro de 2026

Abrangência do Concílio

Quinta, 04 de Agosto de 2011 às 14:00, por: CdB

Quandofoi anunciado, em 25 de janeiro de 1959, o Concílio Vaticano II teve adesão prontae surpreendente. Diversas circunstâncias contribuíram para isto, todas elastendo como fonte a figura de João 23, que em pouco tempo de pontificado játinha conquistado a simpatia de todos, pela sua bondade e simplicidade.

Maso fator que mais suscitou esperanças foi o contexto ecumênico do seu anúncio, feitona conclusão da semana de orações pela unidade dos cristãos. Espontaneamentetodos entenderam que o Concílio iria se inserir dentro da questão que estava emjogo naquela celebração, realizada nas dependências da Basílica de São Paulo. Seriaum Concílio a serviço da causa ecumênica.

Estaversão se espalhou tanto, e tão convictamente, que o próprio João 23 se viu naobrigação de moderar as expectativas, alertando que o Concílio era deiniciativa da Igreja Católica, e se destinava primeiramente a ela. Até porquenão caberia à Igreja Católica convocar as outras Igrejas, sem prévioentendimento mútuo. Mesmo que a restauração da unidade dos cristãos fizesseparte do horizonte do Concílio, e se propusesse a tomar medidas internasnecessárias para tornar viável um novo entendimento entre os cristãos.

OConcílio, portanto, mesmo levando o nome de "ecumênico”, seria destinado àrenovação da Igreja Católica, que teria, isto sim, como uma das motivações maisprofundas a reconciliação entre os cristãos. De fato, o Concílio iria produzirum primoroso documento sobre o ecumenismo, destinado à Igreja Católica, mascontendo preciosas reflexões e normas práticas para o relacionamento com osoutros cristãos.

Mas,olhada agora, depois de 50 anos, esta forte expectativa ecumênica, suscitadapelo anúncio do Concílio, revela um significado mais profundo. Mostra como,desde o início, a proposta de um "concílio ecumênico” foi levada a sério eentendida como muito profunda e abrangente. Pois envolvia a temática densa edesafiadora, da natureza e da missão da Igreja de Cristo.

Defato, nas esperanças ecumênicas estava identificada a temática central doConcílio, que iria se clarear sempre mais, e que brilhou com toda a sualuminosidade no decorrer do Concílio: seu grande tema era a própria Igreja.

Demaneira superficial, os que hoje pretendem diminuir a importância desteConcílio, dizem que ele foi convocado sem ter assunto, e que se limitou arecomendações de ordem pastoral, sem definições doutrinárias de peso.

Muitoao contrário! Ele abordou, de maneira delicada e esperançosa, a grande questãoque vem se arrastando há séculos na Igreja.

Aproblemática da unidade entre os cristãos emergiu na ruptura entre católicos eortodoxos, consumada em 1.054, e se escancarou no século dezesseis com areforma protestante.

Portanto,desde o seu anúncio, este Concílio se defrontou com um tema teologicamentemuito denso, e pastoralmente muito complexo. Desde o seu início, o Concílio foientendido na sua ousadia de propor um tema que vinha desafiando os cristãos háséculos.

Istonos leva a outra observação muito importante: por ter abordado uma questão queatravessava séculos, esse concílio não se esgota em décadas. Ele requeruma recepção mais demorada e progressiva. Daí a demanda por continuar oprocesso que ele desencadeou. E o risco de ser anulado por resistênciasinerentes a cristalizações históricas.

Poristo, a sustentação de suas verdadeiras intenções é tão importante agora,quanto foi o empenho em realizá-lo 50 anos atrás. A causa do Concílio aindacontinua em pauta. Daía importância de uma consistente celebração do seu jubileu, para resgatar suatemática, consolidar seus avanços, e impedir retrocessos.

Éo que já começa a fazer a Diocese de Jales, colocando o Concílio, já neste ano,como tema central de sua romaria diocesana do próximo dia 21 de agosto.

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