"Há uma hipocrisia no Brasil. Esse tema foi muito mal discutido na campanha eleitoral. Primeiro, a mulher tem que ser muito ouvida. Ninguém é a favor do aborto. Em relação ao aborto, o que se é a favor é do direito da mulher recorrer ao serviço público de saúde no caso de interrupção de uma gravidez".
As declarações acima são do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), em palestra a empresários durante evento da Revista Exame, em São Paulo. Cabral, de forma franca e desapaixonada como a questão deve ser tratada, reinseriu essa discussão na pauta nacional. Agora, porém, num patamar elevado, é bom que se diga.
Como todos vocês se lembram, durante a recente campanha eleitoral presidencial, o tema do aborto foi colocado e explorado de forma rasteira, vil, a mais perniciosa e oportunisticamente possível, por parte da oposição e do seu representante na disputa, o candidato derrotado ao Planalto, José Serra (PSDB-DEM-PPS).
José Serra transformou o tema, que envolve eminentemente valores, saúde pública, cultura e foro íntimo numa questão religiosa. Explorou-o e o banalizou como se fosse uma cruzada e sua mulher, a professora Mônica Allende Serra, chegou a acusar a presidenta eleita, Dilma Rousseff, de ser a favor do aborto, "de matar criancinhas".
Ao recolocar no nível adequado a questão em debate na agenda nacional, o governador Sérgio Cabral afirmou que esta discussão deve ser realizada envolvendo as mulheres e a classe médica, além do poder público, em última instância, o responsável por dotar o país das condições necessárias para cumprir as deliberações finais a que chegar a sociedade. Leia mais