ABI e Globo esquecem Centro de Cidadania Barbosa Lima Sobrinho
Por Mário Augusto Jakobskind - Recente matéria do jornal O Globo informava que “Casarão do Catete que já abrigou a UNE será sede 50 start-ups tech”, o que vem a ser um programa do governo estadual para fomentar o desenvolvimento de empresas de tecnologia.
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Recente matéria do jornal O Globo informava que “Casarão do Catete que já abrigou a UNE será sede 50 start-ups tech”, o que vem a ser um programa do governo estadual para fomentar o desenvolvimento de empresas de tecnologia.
A matéria segue tecendo loas para a iniciativa que, segundo O Globo, é “a semente de um Vale do Silício carioca”.
A matéria omite um fato. O local, desde janeiro de 2001, estava reservado pelo governo do Estado ao Centro de Cidadania Barbosa Lima Sobrinho. Houve até uma solenidade na UERJ que anunciava a inauguração do referido Centro, localizado na rua do Catete 243, onde também funcionou a Universidade do Estado da Guanabara (UEG), que abrigava um curso de Direito.
Na solenidade estiverem presentes várias entidades, inclusive a direção da ABI, na época sob a presidência de Fernando Segismundo, alguns associados, entre os quais o autor destas linhas, representações da Prefeitura e do Governo do Estado. Houve discursos e tudo mais enaltecendo a figura de Barbosa Lima Sobrinho, que morreu pouco antes aos 103 anos.
Na época se divulgou que “do Centro de Cidadania Barbosa Lima Sobrinho, a primeira fase constava na elaboração dos projetos arquitetônicos e técnicos de execução de obras emergenciais indispensáveis ao estancamento do processo de ruína em que se encontra o prédio principal e reforço estrutural do Bloco Principal.
E vale informar ainda que no noticiário da época constava que “o conjunto arquitetônico destinado às instalações do Centro de Cidadania Barbosa Lima Sobrinho é constituído por um prédio principal, edificado nos primeiros anos do século XIX, e por três anexos, construídos nas décadas de 30 e 40”. Tombado pela Prefeitura da Cidade, o imóvel necessita de obras de restauração e adaptação para o funcionamento das atividades”. A Petrobras ficou de bancar a obra de restauração.
Treze anos depois da inauguração, o Governo do Estado anuncia a criação da “sede de 50 start5-ups tech”. E o jornal que anuncia a “novidade” também ignorou solenemente que já houve o lançamento do Centro de Cidadania Barbosa Lima Sobrinho.
Se a ABI tivesse uma diretoria não silenciaria diante do fato. Como a diretoria atual, imposta pela Justiça, é inoperante, impera o silêncio. Mais do que isso, num reunião do Conselho Deliberativo da entidade, o órgão máximo da ABI, foi decidido que seria elaborado um artigo sobre o fato para ser editado no site da conhecida Casa do Jornalistas. O artigo foi elaborado, mas não publicado no site.
Agora, por decisão da Justiça fica valendo uma decisão do Conselho relativo à realização da eleição e a assembleia que antecede o pleito, marcado para os dias 31 de julho e 1 de agosto.
Espera-se que desta vez seja respeitada a decisão do Conselho, que será a única forma de superar a grave crise que se abateu sobre a entidade de 106 anos. Como a atual diretoria é capaz de tudo, não será surpresa se mais uma vez a decisão não seja respeitada pela atual diretoria.
Pouco tempo depois de elaborar este artigo, a diretoria da ABI, imposta pela Justiça, decidiu invalidar a reunião do Conselho Deliberativo. A título de informação, foi a segunda vez em dois meses que a diretoria da ABI anulou decisões do Conselho Deliberativo sob argumentos absurdos.
A crise na ABI é muito grave mesmo e a continuar sem a realização de uma eleição e a derrota do grupo que quer se perpetuar no poder da entidade, as perspectivas são das piores. É possível que no fundo haja interesse de grupos em inviabilizar a ABI. Grupos que não estão interessados que uma entidade como a ABI debata temas importantes nos dias atuais, entre os quais a democratização dos meios de comunicação. Podem imaginar que grupos são estes.
Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil); preside a Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI – seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla (no prelo).Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins com o apoio do Correio do Brasil.
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