Rio de Janeiro, 11 de Agosto de 2026

Aben: Programa nuclear brasileiro não pode ser interrompido

O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Edson Kuramoto, disse que o país não deve promover mudanças no programa nuclear brasileiro em função da catástrofe que afetou o complexo de Fukushima, no Japão, no último dia 11. Kuramoto também destacou que o país precisará de uma alternativa que gere energia em grande escala.

Quinta, 31 de Março de 2011 às 10:27, por: CdB
angra2-300x168.gif
O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Edson Kuramoto, disse que o país não deve promover mudanças no programa nuclear brasileiro em função da catástrofe que afetou o complexo de Fukushima, no Japão, no último dia 11. A declaração foi feita nesta quarta-feira, durante audiência pública sobre a segurança das usinas em Angra dos Reis, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). – Hoje, não teria sentido discutir isso porque o emocional está muito acima do racional. Qualquer decisão que se tome hoje será influenciada pelo emocional, não pelo racional. Seria mais prudente que a análise fosse feita no futuro, após o domínio desse acidente e de suas consequências –, disse Kuramoto. O presidente da Aben lembrou do documento Planejamento Energético 2030 e a revisão até 2035, que mostra a importância da energia nuclear para o país. Ele afirmou ainda que a opção de energia hidráulica é limitada e, "a partir de 2025, estará esgotada”. Kuramoto também destacou que o país precisará de uma alternativa que gere energia em grande escala. – E as usinas nucleares estão disponíveis para contribuir no desenvolvimento do país. É uma alternativa estratégica e deve ser tratada como tal –, declarou. A organização não governamental (ONG) Greenpeace, que milita na defesa do meio ambiente,  reafirmou que é contra as usinas nucleares brasileiras. O coordenador da campanha de energias renováveis da ONG, Ricardo Baitelo, disse  que, após a tragédia no Japão, “mais do que nunca é o momento certo para rever todos os padrões de segurança das usinas ao redor do mundo”. – Nós precisamos paralisar o programa nuclear brasileiro. Acreditamos não só na paralisação momentânea, mas também que a construção de Angra 3 não é necessária para a matriz energética brasileira. Enfatizou que o país possui opções mais baratas, mais limpas e mais seguras de geração de energia, que podem ser construídas mais rapidamente, para atender à demanda crescente. Segundo Baitelo, o problema mais grave em Angra dos Reis diz respeito à instabilidade do terreno onde as usinas estão assentadas, sujeito a deslizamentos após chuvas fortes, como sucedeu na região há um ano, bloqueando a única estrada por onde a população poderia ser evacuada em caso de acidente nuclear, que é a Rio-Santos (BR-101).
Tags:
Edições digital e impressa