O empresário Abel Pereira negou nesta quinta-feira, em depoimento à Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) das Sanguesugas, ter mantido contato estreito com o ex-ministro e atual prefeito de Piracicaba (SP), Barjas Negri, quando este ocupou a pasta da Saúde, no governo Fernando Henrique Cardoso.
- Eu o conhecia como morador de Piracicaba e ministro -, disse Pereira.
Abel Pereira contou que esteve apenas uma vez no Ministério da Saúde, participando de audiência com então ministro Barjas Negri e o prefeito de Jaciara (MT), Valdizete Martins Nogueira, em julho de 2002. O empresário explicou que marcou a audiência com o ministro porque o prefeito queria falar da liberação de verbas para construção de um hospital em Jaciara, onde tem uma fazenda.
- Estive na reunião para ajudar Valdizete. E, para um empresário, é um orgulho vir a Brasília visitar ministro -, afirmou.
O convênio para liberação da verba de aproximadamente R$ 500 mil foi assinado no mesmo ano e a empresa de Abel Pereira venceu a licitação para construção da unidade. Segundo Pereira, a relação com Barjas Negri ficou mais próxima durante a última campanha municipal (em 2002), vencida pelo ex-ministro. As empresas de Pereira fizeram doação a campanha.
Abel Pereira é suspeito de intermediar licitações superfaturadas na gestão do ex-ministro Barjas Negri. Os empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, donos da Planam, empresa envolvida no esquema de compra superfaturada de ambulâncias para prefeituras, disseram em juízo que Pereira teria ligações com o esquema no governo passado.
Em depoimento na Justiça Federal, Luiz Antônio Vedoin e Ronildo Medeiros, funcionário da empresa, dissseram que Abel recebia cerca de 6% do valor de cada recurso liberado no Ministério da Saúde em favor da Planam. Abel Pereira negou as acusações.
- Quem sou eu para liberar emenda de parlamentar? Eu nem sei como funciona -, afirmou.
Abel Pereira nega contato com Barjas Negri
Quinta, 23 de Novembro de 2006 às 14:21, por: CdB