Morto aos 97 anos, Abdias deixou uma militância rica à favor de uma sociedade sem racismo
25/05/2011
Da redação
O corpo do militante da causa negra, escritor, ator e dramaturgo Abdias do Nascimento será velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro a partir dessa quinta-feira (26), das 18h às 23h e da sexta-feira (27) das 6h às 11h. Quem quiser prestar uma última homenagem a Abdias pode comparecer ao local na Praça Floriano, nº1, na Cinelândia. Abdias morreu aos 97 anos na noite de segunda-feira (23) de insuficiência cardíaca e deixou uma militância rica no campo intelectual e político à favor de uma sociedade sem racismo.
Ícone da luta do movimento negro, Abdias foi o primeiro deputado federal negro do Brasil e desde a década de 1940 propõe a criminalização do racismo. Foi fundador da Frente Negra Brasileira, movimento perseguido pelo Estado Novo. Criou e dirigiu o Teatro Experimental Negro, que abriu espaços para a atuação de artistas negros, na década de 1960, numa época de grande preconceito. Também foi perseguido e preso pela ditadura militar, depois do golpe de 1964.
Abdias também é fundador do Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), que promove e resguarda a cultura negra. Além disso, é criador do jornal “Quilombo”, que recebeu a contribuição de intelectuais como Gilberto Freyre, Di Cavalcanti, Orígenes Lessa, Raquel de Quieroz, etc. Em 1983, como deputado, chegou a propor as primeiras propostas de políticas afirmativas para os negros. Ele também foi senador e é autor de várias peças, textos e estudos que discutem os direitos dos afrodescentes, como os livros “Sortilégio”, “Dramas para negros e prólogos para brancos – antologia de teatro negro-brasileiro”, “O Negro Revoltado” e “Genocídio do Negro Brasileiro: Processo de um Rascismo Mascarado".
Com informações do Vermelho.org