Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Abbas se reúne com Hamas e Jihad para exigir respeito ao cessar fogo

Sábado, 12 de Fevereiro de 2005 às 15:00, por: CdB

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, se reunirá neste sábado à noite com dirigentes do Hamas e da Jihad Islâmica para exigir que respeitem a trégua, enquanto Israel autorizou a volta à Cisjordânia dos palestinos deportados para Gaza e Europa.

Abbas esclarecerá a essas facções armadas que caso se neguem a acatar o cessar-fogo estipulado com Israel, a ANP e o movimento Fatah estão dispostos a tomar medidas para obrigá-los a cumprir o acordo, segundo fontes oficiais.

O secretário do gabinete palestino, Hassan Abu Libdeh, disse antes do encontro que o presidente palestino não vai tolerar nenhum descumprimento da trégua e que informará os dirigentes islâmicos sobre os entendimentos alcançados entre Israel e a ANP.

Abbas determinou na terça-feira com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, na cúpula da cidade de Sharm el-Sheikh, uma suspensão das hostilidades e de todo tipo de violência mútua em qualquer lugar.

Por sua vez, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, afirmou que seu grupo deseja conhecer detalhadamente todas as questões debatidas na conferência de terça-feira para decidir sua posição sobre o cessar-fogo.

Além disso, esclareceu que o Hamas "não mudou sua postura sobre a trégua", porque não quer "um cessar-fogo gratuito" e sim "ver os compromissos de Israel e garantias internacionais".

Abu Zuhri ressaltou que seu movimento não faz reivindicações particulares, mas luta por direitos legítimos com o objetivo de acabar com a violência sofrida pelo povo palestino.

- Essas questões são impossíveis de cumprir, e incluem o fim das detenções, incursões e assassinatos, a retirada das barreiras e o retorno dos deportados a seus lares, assim como a libertação de prisioneiros. - declarou.

O presidente da ANP pretende conversar em reuniões com o Hamas e com a Jihad sobre a questão do retorno dos militantes deportados à Faixa de Gaza e a países europeus há mais de dois anos.

Em reunião realizada hoje em Gaza, Abbas informou os membros do Comitê Central do Fatah sobre o acordo alcançado com Sharon em relação à possibilidade de retorno dos deportados aos territórios palestinos.

Israel concordou com a volta dos palestinos expulsos de suas casas na Cisjordânia, segundo revelou hoje o ministro para as Negociações, Saeb Erekat. O ministro, no entanto, disse que ainda não foi fixada uma data para o regresso dos 56 deportados, acusados por Israel de participar de atividades terroristas.

Entre os palestinos que poderão voltar à Cisjordânia estão milicianos que se refugiaram na Basílica da Natividade de Belém em março de 2002, e que foram deportados para Gaza em virtude de um acordo entre Israel e ANP, com a mediação da comunidade internacional.

O porta-voz do primeiro-ministro israelense, Raanan Gissin, confirmou que os deportados poderão voltar a seus lares, mas não especificou quando.

- Prometemos que não serão detidos em seu retorno. - esclareceu Gissin, enquanto assinalou que as autoridades estão paralisando todas as ações contra eles desde que parem "com as atividades terroristas".

Abbas se reuniu hoje em Gaza com um grupo de palestinos deportados, entre eles militantes que moravam em Belém e Jenin e foram obrigados a mudar-se para a faixa mediterrânea há mais de dois anos.

O governante afirmou durante o encontro que a ANP fará o possível para que os deportados possam voltar em breve às suas cidades. "Seu caso é uma prioridade como a questão dos prisioneiros" presos em Israel, concluiu.

A libertação dos presos palestinos será debatida hoje à tarde em Tel Aviv pelo ministro israelense da Defesa, Shaul Mofaz, o ministro palestino de Negociações, Saeb Erekat, e o braço-direito do presidente, Mohammed Dahlan.

Dahlan apresentou na reunião uma série de medidas tomadas pela ANP para respeitar a trégua e cessar a violência contra alvos israelenses.

Tags:
Edições digital e impressa