O líder palestino Mahmud Abbas deu ordem hoje aos serviços de segurança para impedirem os ataques contra Israel que, por sua vez, ameaçou lançar uma grande operação, caso prossigam os ataques dos grupos armados palestinos.
"Abu Mazen (como Abbas também é conhecido) quer que impeçamos toda a ação violenta contra Israel", afirmou um funcionário do alto escalão da segurança palestina que preferiu não ter o nome divulgado.
Abbas transmitiu esta decisão durante um encontro em Ramalá, na Cisjordânia, com o primeiro-ministro Ahmed Qorei e o ministro do Interior Hakam Balaawi, na presença dos dirigentes de todos os serviços de segurança, precisou. Com este objetivo, Abbas pediu a mobilização em massa das forças de segurança na Faixa de Gaza, principalmente nos pontos de passagem com Israel.
Segundo a mesma fonte, Abbas ordenou a integração, "o mais rápido possível" das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa aos serviços de segurança. As Brigadas assumiram, junto com dois outros grupos armados, um ataque mortífero contra um ponto de passagem entre Israel e a Faixa de Gaza, na noite de quinta-feira, que fez seis mortos do lado israelense. O movimento radical Hamas rejeitou o apelo lançado na véspera pela OLP para parar os ataques contra Israel.
A decisão de fazer cessar os atos de violência "foi tomada para reorganizar a casa palestina e assegurar a segurança dos cidadãos", explicou o primeiro-ministro palestino em declarações à imprensa na noite de hoje.
Ele estimou que Israel procura pretextos para prosseguir suas operações nos territórios palestinos. "É por isso que devemos paralisar essas ações", disse.
Em relação à rejeição do Hamas a cessar os ataques, Abbas afirmou: "sua posição é conhecida; queremos dialogar com seus militantes para chegar a um acordo". Também informou que retornaria a Gaza nos próximos dias para tentar convencer os grupos radicais a observarem uma trégua em seus ataques ou um cessar-fogo provisório. Apesar dessa situação, Israel mantém a pressão sobre Abbas.
Segundo a rádio militar, o chefe do Estado Maior israelense, o general Moshé Yaalon, deu ordem de planejar uma operação terrestre de importância na Faixa de Gaza caso a Autoridade Palestina não ponha fim rapidamente aos ataques contra Israel.
O vice-ministro da Defesa, Zeev Boïm, advertiu por sua vez que "será preciso, talvez, ordenar à artilharia israelense bombardear os setores de onde são lançados os foguetes Qassam, pedindo antes à população palestina para se retirar desses lugares".
No terreno, dois ativistas da Jihad Islâmica foram mortos na Faixa de Gaza durante trocas de tiros com o exército israelense. Quatro foguetes Qassam caíram sem fazer vítimas em Sdérot (sul de Israel) onde foi organizada uma manifestação para demonstrar a exasperação dos moradores com episódios desse tipo. Foram lançados contra a cidade 112 foguetes desde o início da Intifada, a revolta palestina, em setembro de 2000.
Dois libaneses foram feridos durante um ataque aéreo israelense contra uma cidade do sul do Líbano, na fronteira israelense, após um ataque do Hezbollah no setor das Fazendas de Shebaa ocupado por Israel, indicou a polícia libanesa.