O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, deve reunir-se, nesta terça-feira, com representantes da Resistência Islâmica (Hamas) e da Jihad Islâmica com o objetivo de acertar um cessar-fogo com Israel.
Abbas ordenou apostar uma força de 500 a 700 oficiais dos órgãos de segurança leais à ANP nas localidades de Beit Lahie e Beit Hanun, ao norte da Faixa de Gaza, de onde os milicianos da resistência disparam mísseis Al Qasam contra centros de população no sul de Israel, e na cidade meridional de Khan Yunes, para impedir ataques contra assentamentos judaicos.
Segundo fontes palestinas, o chefe dessa força especial será o comandante da Segurança Nacional, general Abdul Razek Majaida, que pode ver-se enfrentado com as armas pelos milicianos se Abbas não fechar um acordo com seus opositores islâmicos.
O Hamas rejeitou ontem, segunda-feira, a ordem do presidente aos órgãos de segurança para que impeçam a resistência de seguir com seus ataques contra objetivos israelenses, mas um dos principais dirigentes do Hamas, Mahmud a-Zahar, não compartilha dessa decisão.
Após transcender a ordem de Abbas (Abu Mazen) na cidade cisjordaniana de Ramala, os milicianos dispararam dois Al Qasam contra um assentamento judaico do norte de Gaza, e esta manhã quatro projéteis de morteiros e um foguete anti-tanque contra colônias de Gush Katif e um posto militar no sul, embora sem conseqüências.
Em Israel, a emissora pública citava uma "destacada fonte militar", não identificada, que advertia que se Abu Mazen não impedir os ataques das facções palestinas, o exército israelense tem planos para ocupar vastas zonas autônomas da Faixa de Gaza.
O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, reuniria-se hoje com o chefe das Forças Armadas, general Moshe Yaalon, e com outros comandantes, para analisar os distintos planos de ação que podem ser aplicados em Gaza se a resistência continuar com seus ataques.
O governo israelense aprovou em junho do ano anterior a evacuação desse território palestino conquistado na guerra de 1967, e os 21 assentamentos judaicos, a partir de julho próximo. Segundo analistas israelenses, os milicianos intensificam seus ataques para "dar a impressão de que Sharon se retira de Gaza por esse motivo".
Abbas disse a uma delegação de pacifistas israelenses em sua sede da Muqata de Ramala que "levará algumas semanas, quiçá um mês" para que os órgãos de segurança da ANP possam impor a ordem e neutralizar os braços armados do Hamas e da Jihad.
No caso das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, afiliados a seu movimento Fatah, o presidente palestino ordenou incorporar seus membros aos órgãos de segurança do governo.
Em meios do governo e das Forças Armadas israelenses, aparentemente dispostos a conceder a Abbas o prazo solicitado, se dizia hoje que, dada a pressão das localidades e assentamentos atacados diariamente, não poderá conter-se se os palestinos causarem vítimas.
O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qorei (Abu Alá), segundo publica hoje a imprensa israelense, disse à delegação de pacifistas, liderada por Iosi Beilin, que "todo palestino que tomar parte de atividades militares em Gaza será castigado" se não pertencer aos órgãos da ANP.
Do êxito ou do fracasso de Abbas em Gaza também dependerá a retomada de contatos com a ANP por parte do governo israelense, suspensos por Sharon depois do ataque da quinta-feira anterior na passagem fronteiriça de Karni, onde três comandos palestinos mataram seis israelenses.
Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026
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