O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, entregou nesta sexta-feira (23/09) ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o pedido de adesão do Estado da Palestina como membro pleno da organização.
Mais tarde, Abbas defendeu a decisão dos palestinos diante da Assembleia Geral da ONU. Ele foi muito aplaudido pelos delegados presentes no auditório, em Nova York, tanto no início quanto no final do seu discurso de cerca de 40 minutos.
O pedido de adesão feito nesta sexta por Abbas é um gesto de caráter político e simbólico, já que tem poucas chances de sucesso – os Estados Unidos já afirmaram que irão vetá-lo no Conselho de Segurança. Além disso, pode levar meses até que ele seja apreciado pelo Conselho.
O governo de Israel disse que lamenta a decisão dos palestinos. Até os últimos minutos diplomatas americanos e europeus tentaram dissuadir Abbas da ideia, argumentando que a paz só pode ser alcançada por meio de negociações com Israel e não por meio de gestos unilaterais.
O discurso de Abbas
Diante da Assembleia Geral, Abbas acusou Israel de bloquear todos os esforços de paz empreendidos desde a retomada das negociações, em setembro de 2010. Segundo ele, esse é o motivo pelo qual os palestinos decidiram entrar de forma unilateral com um pedido de adesão plena à ONU.
Além disso, Abbas disse que as colônias israelenses nos territórios ocupados são um grande obstáculo no processo de paz entre os palestinos e Israel e destroem as bases para uma solução de dois Estados. Se as ocupações continuarem, o governo da Autoridade Palestina poderá fracassar, afirmou Abbas.
Caso os assentamentos nos territórios ocupados sejam totalmente encerrados e as fronteiras de 1967 forem respeitadas, os palestinos estão prontos para retomar imediatamente as negociações, assegurou o presidente da Autoridade Nacional Palestina. As negociações com Israel não fazem sentido se a atual política de assentamento continuar, disse Abbas.
Ele destacou ainda que o pedido nas Nações Unidas não tem por objetivo isolar ou tirar a legitimidade Israel.
Abbas também foi aplaudido ao exibir uma cópia do pedido entregue a Ban Ki-moon, no qual os palestinos pedem o reconhecimento de um Estado que englobaria os territórios da Cisjordânia, da Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.
Os palestinos possuem hoje apenas um status de observador nas Nações Unidas, o qual não dá a eles direito de voto.
AS/dpa/rtr/afp