O presidente palestino, Mahmoud Abbas, voltou a dizer, nesta quarta-feira que só retornará o processo de paz depois que houver um cessar-fogo entre Israel e o Hamas.
Depois de um único dia de suspensão dos ataques, depois de cinco dias continuos de conflitos na Faixa de Gaza que deixaram mais de 120 mortos, Israel e os militantes palestinos voltaram a se atacar. Por conta deste ataque, o presidente Abbas, voltou a declarar interrompidas as negociações de paz
- Certamente as negociações Palestina-Israel devem ser retomadas, mas após conseguirmos calma - disse ele.
Testemunhas palestinas e autoridades do Hamas disseram que uma coluna de veículos blindados de Israel cruzou a fronteira na região central da Faixa de Gaza e foi recebida com disparos de morteiro e de metralhadora. Helicópteros israelenses também participaram da ação.
Os ataques ocorreram no mesmo dia da reunião com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em Ramallah, na Cisjordânia, que visita a região em busca de fortalecer o processo de paz.
O líder palestino já tinha suspendido as negociações no fim de semana por causa da ação militar israelense no norte da Faixa de Gaza, que deixou mais de 100 mortos.
Abbas pediu a Israel para parar com a agressão para que o ambiente necessário para o sucesso das negociações de paz possa ser criado. Segundo ele, a escolha estratégica de seu governo é pela paz e pelas negociações com Israel.
Entrave
Condoleezza Rice afirmou que ainda acredita que um acordo de paz possa ser alcançado ainda neste ano, conforme o objetivo estabelecido no ano passado na Conferência de Annapolis, nos Estados Unidos.
- O que estamos tentando conseguir não é fácil (…), mas eu ainda acredito que possa ser feito. Precisamos que todos estejam concentrados na paz. Aguardamos a retomada das negociações o mais rápido possível - disse.
Rice afirmou ainda que a 'ameaça real' para o processo de paz são o que ela qualificou de 'extremistas' como o grupo Hamas - que controla a Faixa de Gaza desde junho do ano passado - e que, segundo ela, se opõem ao estabelecimento de um Estado palestino.
A viagem da secretária de Estado já tinha sido planejada há algumas semanas com o objetivo de avançar nas negociações de paz, depois que palestinos e israelenses assumiram o compromisso de tentar chegar a um acordo em Annapolis. Mas, em vez disso, Condoleezza Rice se viu no papel de tentar resgatar as negociações, tentando convencer os dois lados a voltar a sentar à mesma mesa.
Israel encerrou a ofensiva de cinco dias na última segunda-feira, mas disse que poderá a qualquer momento voltar a enviar tropas ao território controlado pelo Hamas se o lançamento de foguetes a partir de Gaza para o lado israelense continuasse. Na última terça-feira, houve uma rápida incursão terrestre israelense seguida por ataques aéreos.
Um porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse na quarta-feira que Israel não teria que fazer novas operações militares se os tiros palestinos acabassem.
A recente onda de violência em Gaza também mostrou as limitações da estratégia do governo de George W. Bush de conversar apenas com o presidente da Autoridade Palestina, ignorando o Hamas. O Hamas não reconhece Israel e se opõe ao atual processo de paz.