Terminada na tarde deste domingo a votação em todos os territórios palestinos, após 14 horas, pesquisas de boca-de-urna dão vitória a Mahmoud Abbas, que teria de 66% a 70% dos votos para suceder Yasser Arafat na Presidência da Autoridade Nacional Palestina. Abbas já fez o discurso da vitória em Ramallah, na Cisjordânia:
- Oferecemos esta vitória à alma do irmão e mártir Yasser Arafat e a todos os palestinos - disse Abbas, que pretende retomar as conversações de paz com Israel.
A votação foi estendida por duas horas por causa de problemas de acesso às zonas eleitorais e por temores de que o índice de abstenção comprometesse o processo. Sondagem de um instituto mostrou que 65% dos eleitores compareceram às urnas. Segundo a legislação palestina, é necessário que pelo menos 50% dos eleitores cadastrados votem para que o pleito seja válido.
Mas os monitores disseram que em geral Israel cumpriu sua promessa de facilitar a passagem dos palestinos no dia da eleição.
- - Foi um dia muito bom. Este é um momento histórico - afirmou o chefe da diplomacia da União Européia, Javier Solana.
O triunfo de Abbas foi recebido com frieza pelo Hamas, que não considerou significativa a participação dos eleitores neste domingo.
- Respeitamos a escolha do povo palestino - disse o líder do grupo radical na Cisjordânia, xeque Hassan Youssef.
A vitória de Abbas, candidato do movimento Fatah, que era liderado por Arafat, era amplamente esperada. O ativista pró-democracia Mustafa Barghouthi deve ficar em segundo lugar, com 20% dos votos.
Os demais cinco candidatos, que variam de um ex-guerrilheiro marxista a um intelectual sob prisão domiciliar nos EUA, tiveram participação insignificante, de acordo com as pesquisas.
Os seguidores de Abbas celebraram nas ruas de Ramallah, capital administrativa palestina, com buzinas, bandeiras e retratos do líder moderado.
Abbas fez uma campanha populista, que chegou a preocupar Israel quando ele prometeu manter a luta do ícone palestino pelo fim da ocupação israelense, inclusive em Jerusalém Oriental, e pelo direito de retorno de milhões de palestinos às terras hoje ocupadas pelo Estado judeu.
Mas a aposta de Abbas em criar uma nova atmosfera de diplomacia depende da boa vontade dos extremistas, principalmente os do Hamas, que boicotaram a eleição e lançaram dois mísseis contra Israel no domingo, numa demonstração de força contra as propostas de cessar-fogo.
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, deve se reunir com Abbas dias depois da oficialização do resultado eleitoral palestino, o que provavelmente ocorrerá nesta segunda-feira.
Abbas dedica a Arafat vitória na Palestina
Segunda, 10 de Janeiro de 2005 às 07:09, por: CdB