Rio de Janeiro, 12 de Abril de 2026

Abbas dá ultimato para Fatah e Hamas chegarem a acordo

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, anunciou, nesta quinta-feira, que fará um plebiscito sobre um plano de resolução da crise palestina, caso o Fatah e o Hamas não definam um programa político conjunto. Abbas, abriu a conferência de diálogo nacional entre diferentes facções palestinas avisando que, se não houver um acordo fundamental sobre o futuro Estado palestino, recorrerá diretamente ao povo através de um referendo. (Leia Mais)

Quinta, 25 de Maio de 2006 às 08:02, por: CdB

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, anunciou, nesta quinta-feira, que fará um plebiscito sobre um plano de resolução da crise palestina, caso o Fatah e o Hamas não definam um programa político conjunto. Abbas,  abriu a conferência de diálogo nacional entre diferentes facções palestinas avisando que, se não houver um acordo fundamental sobre o futuro Estado palestino, recorrerá diretamente ao povo através de um referendo.

O presidente quer submeter à consulta popular um acordo preliminar feito por palestinos detidos em prisões israelenses, que defende a criação de um Estado palestino dentro das fronteiras de 1967, ou seja, Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental.

Este acordo, que também foi ratificado por presos do Hamas - que governa a Autoridade Nacional Palestina (ANP) - representa um reconhecimento implícito do Estado de Israel, e do projeto de criação de dois Estados, princípios até agora rejeitados pelo movimento islâmico.

- Se o diálogo (interpalestino) não conseguir alcançar um acordo (alinhado com a iniciativa dos prisioneiros) no prazo de dez dias, começando a partir de amanhã, convocarei um plebiscito popular depois de 40 dias - anunciou Abbas aos representantes de diferentes grupos na cidade de Ramala.

O presidente da ANP disse aos representantes que participarão do "diálogo nacional palestino", em Ramala, que existe um consenso sobre as fronteiras do futuro Estado palestino.

- Todos os palestinos, do Hamas aos comunistas, todos nós estamos de acordo que queremos um Estado palestino com as fronteiras de 1967 - anteriores à Guerra dos Seis Dias, na qual Israel ocupou Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.

- Isto é o que há, não podemos falar de sonhos inalcançáveis - acrescentou.

Abbas recomendou ao movimento Hamas que abandone as posições absolutistas, e informe o que poderia aceitar em um futuro acordo com Israel.

Anteriormente, o primeiro-ministro da ANP e líder do Hamas, Ismail Haniyeh, havia afirmado que continua comprometido "com a unidade do povo palestino e a linguagem do diálogo deve ser a única a prevalecer".

O Hamas autorizou Abbas a negociar com Israel, mas em seu discurso de hoje o presidente pediu que o grupo islâmico se posicione claramente.

Ontem, em Washington, em discurso no Congresso dos EUA, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, mostrou sua disposição em dialogar com Abbas.

Além do futuro das relações com Israel, os líderes dos grupos palestinos debatem soluções para a disputa de poder entre milicianos e membros das forças de segurança do Hamas e do Fatah.

Haniyeh pediu aos militantes do Hamas e do Fatah que deixem de lado os conflitos armados.

No entanto, rejeitou de antemão o pedido de Abbas para que retire das ruas de Gaza os 3 mil oficiais da nova "força de apoio" da Polícia, criada pelo Ministério do Interior da ANP, e reivindicou para esta pasta as competências relativas à segurança.

O presidente da ANP lidera o Conselho de Segurança Nacional e, por isso, tem a última palavra em questões referentes aos órgãos de manutenção da ordem e comanda a maior parte das forças.

Outros temas a serem tratados são a crise financeira -  provocada pela suspensão das ajudas externas desde a posse do Hamas, em março - o papel da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), e as relações tensas entre a Presidência e a Chefia do Governo.

Em seu discurso, Abbas disse que ANP vive um cerco político, que se somou ao cerco econômico que impede o pagamento dos salários dos seus 160 mil funcionários.

A conferência de dois dias será realizada por videoconferência em Ramala e Gaza, já que Israel impede os dirigentes do Hamas de saírem da Faixa de Gaza.

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