O presidente palestino Mahmoud Abbas anunciou neste sábado o adiamento das eleições parlamentares. O grupo militante Hamas criticou a medida, argumentando que é uma resposta a temores de bom resultado no pleito. A decisão de adiar as eleições de 17 de julho, segundo decreto público, foi tomada para dar mais tempo para resolver um impasse sobre as reformas da lei eleitoral.
Abbas não forneceu uma nova data para as eleições, disse apenas que o prazo será anunciado em uma declaração presidencial.
O adiamento pode tensionar as relações entre os grupos Fatah, de Abbas, e Hamas, que se espera ter um bom desempenho em sua primeira eleição legislativa. O Hamas reagiu acusando o Fatah de realizar uma manobra para se manter no poder. O grupo militante concordou com "um período de calma" até o final do ano, após o presidente palestino e o primeiro ministro israelense Ariel Sharon declararem um cessar-fogo em fevereiro.
Mas o acordo entre Abbas e facções militantes conta, em parte, com o apoio devido à promessa de divisão de poder através da eleição. O Hamas entrou para a política pela primeira vez no final do ano passado. Desde então, tem registrado seguidas vitórias sobre o Fatah, assolado por denúncias de corrupção, em algumas cidades da Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Na semana passada, autoridades do Fatah disseram que era possível o adiamento da eleição por falta de acordo dentro do partido sobre as reformas da lei eleitoral.