O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que os palestinos e Israel estão entrando em uma "nova era" após mais de quatro anos de violência, de acordo com uma entrevista ao The New York Times publicada nesta segunda-feira. Abbas disse, em comentários divulgados no site do jornal, que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, está falando uma "linguagem diferente".
Ele saudou o plano de Sharon de retirar, este ano, todos os 21 assentamentos judaicos da Faixa de Gaza e quatro dos 120 na Cisjordânia como "um bom sinal" para o plano de paz conhecido como "mapa de caminho".
- E agora ele (Sharon) tem um parceiro - disse Abbas, eleito em 9 de janeiro para substituir Yasser Arafat com uma plataforma de não-violência.
Questionado sobre se o atual levante armado palestino, que começou em 2000 após o colapso de negociações de paz, foi um erro, Abbas respondeu:
- Não podemos dizer que foi um erro. Mas qualquer guerra tem um fim - disse ele.
Abbas disse que os grupos militantes Hamas e Jihad Islâmica, que prometeram suspender ataques contra Israel enquanto avaliam uma trégua, estão comprometidos em "esfriar toda a situação e acredito que vamos começar uma nova era".
As duas facções "querem chegar ao poder se puderem" nas eleições legislativas de julho, "e se ganharem...é o direito delas", afirmou.
- Agora o Hamas e a Jihad estão concorrendo para as eleições, e o que isso significa? Significa que eles se converterão com o tempo em partidos políticos - disse.
Sobre o tema dos refugiados, Abbas - que é um deles - exortou Israel a acabar com a rejeição ao direito de retorno ao que é hoje o Estado judaico.
- Não acho que os israelenses tenham o direito de dizer, 'Não, não vamos discutir isso. Vamos pedir para discutir...e quando chegarmos a um acordo, sobre qualquer coisa, é claro que vamos aceitar - disse ele.
Líderes israelenses dizem que os refugiados palestinos devem ser estabelecidos em um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e que um fluxo deles para Israel seria uma espécie de suicídio demográfico, porque os judeus acabariam por virar minoria em seu próprio país.