Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, cujas políticas de paz foram rejeitadas pelo grupo militante Hamas - vencedor com larga margem de votos as eleições parlamentares de janeiro - disse acreditar que um acordo de paz com Israel ainda pode ser firmado em menos de um ano. Em uma entrevista concedida ao jornal israelense Haaretz e publicada na sexta-feira, Abbas afirmou ter proposto a realização de negociações secretas com os EUA e o ex-primeiro-ministro de Israel Shimon Peres, que liderou os esforços de paz no passado.
- Estou convencido de que, em menos de um ano, seremos capazes de assinar um acordo - disse o presidente.
A capacidade de Abbas para negociar um acordo dessa envergadura, porém, está em xeque. A vitória do Hamas nas urnas e a relutância de Israel em manter contatos com o presidente palestino são dois importantes argumentos contra Abbas. A ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, disse publicamente que Abbas era uma "figura irrelevante". E o Estado judaico prometeu não negociar com o Hamas, que se recusa a aceitar a existência de Israel, a depor suas armas e a concordar com os acordos de paz interinos.
O primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, cujo partido Kadima (centrista) é o favorito para vencer as eleições de 28 de março, ameaça ignorar Abbas e adotar manobras unilaterais, fixando uma fronteira final com os palestinos sem escutá-los.
- Posso prometer que os senhores têm um parceiro para essa paz. No dia seguinte às eleições, os senhores vão encontrar-nos prontos para sentar e negociar sem impor condições prévias - disse o presidente palestino.
Mahmoud Abbas afirmou estar preparado para submeter qualquer acordo de paz a um plebiscito, acrescentando ter "certeza" de que a maioria dos palestinos o aprovaria. Mas o presidente disse ao Haaretz temer a possibilidade de Israel não estar interessado nas negociações e estar evitando-as sob o pretexto de não ter um parceiro palestino após a vitória do Hamas.
Trégua
Olmert propôs agir unilateralmente, desmantelando assentamentos judaicos isolados e consolidando os grandes blocos de assentamento na Cisjordânia ocupada. Segundo Abbas, uma manobra do tipo poderia abrir as portas para um cessar-fogo de dez anos, "mas não trará a paz para os senhores". Questionado sobre se concordaria com uma troca de território na qual Israel reteria alguns de seus assentamentos, Abbas disse:
- Eu não descarto essa possibilidade. Nas negociações, cada um dos lados apresentará suas exigências. Tudo será feito segundo as leis internacionais.
O Hamas, cujos estatutos defendem a destruição de Israel, venceu a eleição de 25 de janeiro e pretende apresentar, na próxima semana, ao Parlamento dominado pelo grupo um novo governo. A organização militante rechaçou os apelos de Abbas para que esse governo prometa buscar a paz com Israel. O Hamas realizou quase 60 atentados suicidas contra israelenses desde o começo de um levante em 2000, mas aderiu a uma trégua declarada um ano atrás.